Sobre o Arquivo

Brasão Wermelinger

Sobre o Arquivo

Memórias e Linhagem

Este arquivo nasceu de uma pergunta simples: o que sobra quando o tempo passa?

A história da família Wermelinger atravessa duzentos anos entre Willisau, no cantão de Lucerna, e a serra fluminense de Nova Friburgo. Atravessa o caderno do pároco em 1911, a carta do primo Otto em 1962, o monumento na Praça do Suspiro em 2011. Atravessa os silêncios mais longos que os documentos — duas, três gerações por vez sem registro escrito — e ainda assim chega aqui.

Aqui, cada documento é guardado com cuidado. Cada incerteza é registrada como tal. Cada memória é preservada do esquecimento — porque a memória é a única pátria que ninguém pode confiscar.

Cronologia da Linhagem

  • séc.
    XIV

    As primeiras menções

    O Jahrzeitbuch da paróquia de Ruswil-Willisau registra os primeiros von Wermoldingen — Hans, Ionne, Johannes, Uoli — em meio às páginas amareladas de um livro de aniversários medievais.

  • 1656

    Caspar com duas bandeiras

    Caspar Wermelinger, canteiro de Lucerna, retorna da Villmerger-Schlacht trazendo nas mãos duas bandeiras inimigas. Em 24 de outubro, o Schultheiss e o Conselho de Lucerna o honram com um Trinkgeschirr de prata.

  • 1819

    A travessia do Heureux Voyage

    Franz Xaver Wermelinger embarca de Willisau rumo ao Brasil. A bordo do Heureux Voyage, atravessa o Atlântico com sua família para se estabelecer na recém-fundada Colônia de Nova Friburgo, casa 81, lote 61.

  • 1911

    O Memorial do Pe. José

    O pároco de Duas Barras, Pe. José Antônio de Jesus e Maria, redige seu Memorial Paroquial. Descreve a família Wermelinger como "qual pedra preciosa engastada na augusta fronte fulgurante d'esta Santa Egreja". Cento e quinze anos depois, suas palavras chegam intactas.

  • 1969

    Wermelinger-Tag em Willisau

    Mais de trezentos Wermelinger se reúnem no Hotel Mohren, em Willisau, para celebrar 150 anos da migração ao Brasil. Brasileiros e suíços se reconhecem na mesma mesa, no mesmo nome, no mesmo silêncio que o tempo não conseguiu apagar.

  • 2011

    O cataclismo e o monumento

    A serra fluminense é atingida pela maior tragédia natural da história brasileira. Como gesto de memória e resistência, o brasão da família Wermelinger é esculpido em pedra no Monumento da Praça do Suspiro, em Nova Friburgo.

  • hoje

    O Arquivo Wermelinger

    O que estava espalhado em cadernos, gavetas, fotografias amareladas e memórias orais começa a ser organizado num arquivo digital trilíngue, auditável, perpétuo. Cada documento é uma pedra. Cada memória, uma promessa.

Famílias Entrelaçadas

Wermelinger

Núcleo. Suíça → Nova Friburgo, 1819. Cinco ramos identificados.

Lack

Casamento documentado no Memorial 1911. Estêvão "Estevinho" de Oliveira Lack, da Sala dos Milagres.

Monnerat

Egreja N. S. da Guia, fundada em Monnerat-RJ em 1892 por Anna Maria Vidal Monnerat.

Lutterbach

Linhagem entrelaçada por casamentos sucessivos no século XX. Banda Wermelinger Lack.

Erthal

Família suíço-alemã associada à Colônia de Nova Friburgo desde o século XIX.

O Princípio

Honest generic beats false specific.

O genérico honesto vale mais do que o específico falso. O que está aqui foi verificado. O que não foi, está marcado como tal. A memória, nos limites do que é honesto registrar, não admite invenção.

Mantido por mãos brasileiras
na serra fluminense, longe da Suíça que partiu em 1819.

Tiago Torres Wermelinger

Duas Barras · Rio de Janeiro