domingo, 26 de abril de 2026

O dia em que o arquivo virou um corpo só

O dia em que o blog virou um corpo só Der Tag, an dem das Blog ein einziger Körper wurde The day the blog became a single body

“Durante meses, foram peças soltas. Hoje, viraram estrutura.” „Monatelang waren es einzelne Stücke. Heute sind sie eine Struktur geworden.“ “For months, they were loose pieces. Today, they became a structure.”

Hoje, 26 de abril de 2026, este blog consolidou-se.

Não por causa de uma descoberta nova. Não por causa de uma fonte inédita. Por causa de uma decisão sobre forma.

Até ontem, este blog era uma coleção de posts soltos. Crescido organicamente desde 2009. Textos em português, textos em alemão, textos em inglês — cada um numa URL própria, com formato próprio, sem ponte visível entre si. Era um blog, mas não era estrutura.

Hoje passou a ser estrutura.

O que mudou

Sete posts foram reescritos numa única gramática trilíngue. Cada um deles, antes, vivia espalhado em duas, três URLs do próprio blog. Agora, cada um é uma página única, com três versões coexistindo — PT, DE, EN — trocadas por um simples clique nas bandeirinhas.

  • Cronologia da linhagem — 7 atos, 20 marcos, 1819 a 2026, em três idiomas
  • Carta de Otto Wermelinger-Ambühl, 1962 — o primeiro contato Brasil–Suíça depois de 143 anos de silêncio, original em francês
  • Willisauer Volksblatt, 14 de novembro de 1969 — crônica do Wermelinger-Tag, original em alemão transcrito do recorte de jornal
  • Willisauer Bote, 28 de novembro de 1969 — cobertura paralela do mesmo evento, voz histórico-genealógica
  • O caso Helena — manifesto sobre a correção de um registro errado por décadas: mãe tomada como irmã
  • Sentado na floresta com os macacos — ensaio sobre a carta de Joste, 1825, e o sistema que falhou
  • Xavier, o tecelão — estudo aprofundado da carta de Joste com cinco anexos documentais primários

Cada uma dessas peças podia ser publicada como um post comum, em uma só língua, com link para uma tradução em outro lugar. Era assim que começaram. Hoje deixaram de ser traduções de si mesmas e passaram a ser uma coisa só.

Os três princípios que ficaram

Princípio I A língua original determina a hierarquia Material em alemão (Volksblatt, Bote, Joste) tem o alemão como versão canônica — PT e EN são traduções. Material em francês (Otto, 1962) tem o francês como canônico. Material autoral em português tem o português como canônico. Não há padrão único forçado: o padrão é respeitar a verdade da fonte.
Princípio II Preservação documental não é endosso editorial Trechos racistas de fontes históricas (1969) são preservados nas três versões, sem amenização. Mas são sempre acompanhados de nota editorial reconhecendo o tom da época. Preservar não é concordar. Apagar é perder.
Princípio III Honest generic beats false specific Quando não se sabe a data exata, escreve-se “por volta de 1860”. Quando não se conhece o filho, não se inventa. Quando o registro está em conflito, registra-se o conflito em footnote — não se escolhe o mais bonito. A generalidade honesta vence sempre a especificidade falsa.

O que ainda falta

Honestidade exige reconhecer o que não foi feito.

Este blog é uma das duas frentes do trabalho de memória. A outra é o acervo digital, hospedado em sistema próprio, que abriga a árvore genealógica e os documentos — alimentado por uma base de dados separada. Hoje sua árvore tem 881 pessoas e 235 documentos catalogados. O número real de descendentes vivos passa fácil de três mil. Centenas de fotos antigas estão em discos rígidos sem catalogação. As cartas do Staatsarchiv Luzern estão transcritas, mas não todas traduzidas. O acordo de uso entre o arquivo brasileiro e o arquivo suíço ainda não existe formalmente.

O dia em que o blog virou um corpo só não é o dia em que tudo ficou pronto. É o dia em que a forma ficou pronta para receber o que ainda virá.

Convite

Se você tem fotos antigas, cartas guardadas, álbuns de família, recortes de jornal, atas de funeral, certidões, histórias contadas pela avó — o acervo digital tem um formulário para receber sua contribuição. Cada envio entra direto na base de dados do arquivo. Se preferir, comente abaixo — este blog também guarda memória.

Em algum momento dos próximos meses, este post também será revisado. Frases serão cortadas. Detalhes serão adicionados. É assim que arquivos vivem — não como monumentos congelados, mas como organismos que admitem correção.

O que não muda é o pacto: o que está aqui foi verificado. O que não foi, está marcado como tal. A memória não admite invenção.

Heute, am 26. April 2026, hat sich dieses Blog konsolidiert.

Nicht wegen einer neuen Entdeckung. Nicht wegen einer unveröffentlichten Quelle. Wegen einer Entscheidung über die Form.

Bis gestern war dieses Blog eine Sammlung loser Beiträge. Seit 2009 organisch gewachsen. Texte auf Portugiesisch, auf Deutsch, auf Englisch — jeder unter eigener URL, mit eigenem Format, ohne sichtbare Brücke zwischen ihnen. Es war ein Blog, aber keine Struktur.

Heute ist es eine Struktur geworden.

Was sich geändert hat

Sieben Beiträge wurden in einer einzigen dreisprachigen Grammatik neu geschrieben. Jeder von ihnen lebte früher verstreut auf zwei oder drei URLs desselben Blogs. Jetzt ist jeder eine einzige Seite, auf der drei Versionen koexistieren — PT, DE, EN — mit einem einfachen Klick auf die Fähnchen umschaltbar.

  • Chronologie der Linie — 7 Akte, 20 Meilensteine, 1819 bis 2026, in drei Sprachen
  • Brief von Otto Wermelinger-Ambühl, 1962 — der erste Kontakt zwischen Brasilien und der Schweiz nach 143 Jahren des Schweigens, im französischen Original
  • Willisauer Volksblatt, 14. November 1969 — Chronik der Wermelinger-Tagung, deutsches Original aus dem Zeitungsausschnitt transkribiert
  • Willisauer Bote, 28. November 1969 — parallele Berichterstattung über dasselbe Ereignis, in historisch-genealogischer Stimme
  • Der Fall Helena — Manifest über die Korrektur eines jahrzehntelangen Irrtums: eine Mutter, die als Schwester geführt wurde
  • Im Wald bei den Affen — Essay über den Brief von Joste, 1825, und das System, das versagte
  • Xavier, der Weber — vertiefte Untersuchung des Joste-Briefs mit fünf primären Dokumentanhängen

Jedes dieser Stücke hätte als gewöhnlicher Beitrag in einer einzigen Sprache erscheinen können, mit einem Link auf eine Übersetzung anderswo. So fingen sie auch an. Heute hörten sie auf, Übersetzungen ihrer selbst zu sein, und wurden eins.

Die drei verbliebenen Prinzipien

Prinzip I Die Originalsprache bestimmt die Hierarchie Material auf Deutsch (Volksblatt, Bote, Joste) hat das Deutsche als kanonische Fassung — PT und EN sind Übersetzungen. Material auf Französisch (Otto, 1962) hat das Französische als kanonisch. Autorenmaterial auf Portugiesisch hat das Portugiesische als kanonisch. Es gibt kein erzwungenes Einheitsmuster: das Muster ist die Treue zur Wahrheit der Quelle.
Prinzip II Dokumentarische Bewahrung ist keine redaktionelle Billigung Rassistische Passagen aus historischen Quellen (1969) bleiben in allen drei Versionen erhalten, ohne Abmilderung. Aber sie werden stets von einer redaktionellen Anmerkung begleitet, die den Zeitton anerkennt. Bewahren ist nicht Zustimmen. Löschen ist Verlieren.
Prinzip III Honest generic beats false specific Wenn das genaue Datum unbekannt ist, schreibt man „um 1860“. Wenn das Kind unbekannt ist, erfindet man es nicht. Wenn der Eintrag widersprüchlich ist, vermerkt man den Widerspruch in einer Fussnote — man wählt nicht den schöneren. Die ehrliche Allgemeinheit gewinnt immer gegen die falsche Bestimmtheit.

Was noch fehlt

Ehrlichkeit verlangt anzuerkennen, was nicht getan wurde.

Dieses Blog ist eine der beiden Seiten der Erinnerungsarbeit. Die andere ist das digitale Archiv, auf einem eigenen System gehostet, das den Stammbaum und die Dokumente beherbergt — gespeist aus einer eigenen Datenbank. Heute zählt sein Stammbaum 881 Personen und 235 katalogisierte Dokumente. Die wirkliche Zahl der heute lebenden Nachfahren überschreitet leicht dreitausend. Hunderte alte Fotos liegen unkatalogisiert auf Festplatten. Die Briefe aus dem Staatsarchiv Luzern sind transkribiert, aber nicht alle übersetzt. Die formale Vereinbarung über die Nutzung zwischen dem brasilianischen und dem Schweizer Archiv besteht noch nicht.

Der Tag, an dem das Blog ein Körper wurde, ist nicht der Tag, an dem alles fertig ist. Es ist der Tag, an dem die Form bereit ist, das aufzunehmen, was noch kommt.

Einladung

Wenn Sie alte Fotos, aufbewahrte Briefe, Familienalben, Zeitungsausschnitte, Beerdigungsprotokolle, Urkunden, Geschichten Ihrer Grossmutter besitzen — das digitale Archiv hat ein Formular für Ihren Beitrag. Jede Eingabe gelangt direkt in die Archivdatenbank. Sie können auch unten kommentieren — auch dieses Blog bewahrt Erinnerung.

Irgendwann in den nächsten Monaten wird auch dieser Beitrag überarbeitet. Sätze werden gestrichen werden. Einzelheiten werden hinzugefügt werden. So leben Archive — nicht als eingefrorene Denkmäler, sondern als Organismen, die Korrektur zulassen.

Was nicht ändert, ist der Pakt: Was hier steht, wurde geprüft. Was nicht, ist als solches gekennzeichnet. Erinnerung lässt keine Erfindung zu.

Today, 26 April 2026, this blog consolidated itself.

Not because of a new discovery. Not because of an unpublished source. Because of a decision about form.

Until yesterday, this blog was a collection of loose posts. Grown organically since 2009. Texts in Portuguese, texts in German, texts in English — each on its own URL, with its own format, with no visible bridge between them. It was a blog, but not a structure.

Today it became a structure.

What changed

Seven posts were rewritten into a single trilingual grammar. Each of them, before, lived scattered across two or three URLs of this same blog. Now, each is a single page, with three versions coexisting — PT, DE, EN — toggled by a simple click on the flags.

  • Chronology of the lineage — 7 acts, 20 milestones, 1819 to 2026, in three languages
  • Letter from Otto Wermelinger-Ambühl, 1962 — the first Brazil–Switzerland contact after 143 years of silence, in the original French
  • Willisauer Volksblatt, 14 November 1969 — chronicle of the Wermelinger Gathering, German original transcribed from the press clipping
  • Willisauer Bote, 28 November 1969 — parallel coverage of the same event, in historical-genealogical voice
  • The Helena case — manifesto on the correction of a record wrong for decades: a mother taken for a sister
  • Sitting in the forest with the monkeys — essay on Joste's letter, 1825, and the system that failed
  • Xavier, the weaver — in-depth study of Joste's letter with five primary documentary appendices

Each of these pieces could have been published as an ordinary post, in a single language, with a link to a translation elsewhere. That is how they began. Today they ceased being translations of themselves and became one thing.

The three principles that remain

Principle I The original language sets the hierarchy Material in German (Volksblatt, Bote, Joste) holds German as canonical — PT and EN are translations. Material in French (Otto, 1962) holds French as canonical. Authorial material in Portuguese holds Portuguese as canonical. There is no enforced single pattern: the pattern is fidelity to the truth of the source.
Principle II Documentary preservation is not editorial endorsement Racist passages from historical sources (1969) are preserved in all three versions, without softening. But they are always accompanied by an editorial note acknowledging the tone of the period. Preserving is not agreeing. Erasing is losing.
Principle III Honest generic beats false specific When the exact date is unknown, write “around 1860”. When the child is unknown, do not invent one. When the record is in conflict, footnote the conflict — do not pick the prettier reading. Honest generality always beats false specificity.

What still remains

Honesty demands acknowledging what was not done.

This blog is one of the two fronts of the memory work. The other is the digital archive, hosted on its own system, which holds the family tree and the documents — fed by a separate database. Today its tree counts 881 people and 235 catalogued documents. The real number of living descendants today easily passes three thousand. Hundreds of old photographs sit uncatalogued on hard drives. The letters from the Staatsarchiv Luzern are transcribed, but not all translated. The formal use-agreement between the Brazilian and the Swiss archive does not yet exist.

The day the blog became a single body is not the day everything is finished. It is the day the form is ready to receive what is still to come.

Invitation

If you have old photographs, kept letters, family albums, newspaper clippings, funeral records, certificates, stories told by your grandmother — the digital archive has a form to receive your contribution. Each submission goes directly into the archive's database. You can also comment below — this blog also keeps memory.

At some point in the coming months, this post too will be revised. Sentences will be cut. Details will be added. That is how archives live — not as frozen monuments, but as organisms that admit correction.

What does not change is the pact: what is here was verified. What was not is marked as such. Memory admits no invention.

Tiago Torres Wermelinger
Duas Barras, Rio de Janeiro · 26 de abril de 2026
Arquivo Wermelinger — onde a história é verificada, não repetida
Duas Barras, Rio de Janeiro · 26. April 2026
Wermelinger-Archiv — wo Geschichte geprüft wird, nicht wiederholt
Duas Barras, Rio de Janeiro · 26 April 2026
Wermelinger Archive — where history is verified, not repeated

Publicado em três idiomas · PT · DE · EN In drei Sprachen veröffentlicht · PT · DE · EN Published in three languages · PT · DE · EN

quarta-feira, 22 de abril de 2026

A árvore que você viu até hoje está incompleta — o caso Helena

Sobre rigor, memória e o caso Helena Über Genauigkeit, Erinnerung und den Fall Helena On rigour, memory, and the Helena case

No dia 21 de abril de 2026, isso ficou evidente.

Ao reconstruir a estrutura da família Wermelinger, encontrei algo simples — e incômodo: centenas de relações reais estavam registradas… e invisíveis.

Não faltavam dados.
Faltava verdade sendo mostrada.

Hoje, o arquivo reúne 881 pessoas e 623 ligações familiares confirmadas.
Não é mais uma coleção de nomes.
É uma estrutura viva — que começa a revelar o que sempre esteve ali, mas nunca foi organizado com rigor.

E é aqui que o problema aparece.

Durante a revisão, um erro atravessou décadas sem ser percebido:
Helena havia sido registrada como irmã… quando na verdade era mãe.

Não é um detalhe técnico.

É assim que a história se distorce:
um registro errado, repetido em silêncio, aceito sem questionamento.

Hoje, Helena voltou ao lugar dela.

Mas isso levanta uma pergunta inevitável:
quantas outras histórias ainda estão erradas — e ninguém percebeu?

Esse arquivo não cresce sozinho.
Ele depende de quem ainda tem memória — antes que ela desapareça.

Cada nome que não entra aqui, some.
Cada documento guardado em silêncio, se perde.
E quando se perde, não volta mais.

Se você tem informações, registros ou histórias da família, o momento é agora.

Porque a diferença entre uma árvore qualquer e um arquivo real é simples:
um repete o que foi dito.
o outro verifica — e corrige.

Am 21. April 2026 wurde es offensichtlich.

Beim Wiederaufbau der Struktur der Familie Wermelinger fand ich etwas Einfaches — und Beunruhigendes: Hunderte echter Beziehungen waren erfasst… und unsichtbar.

Es fehlten keine Daten.
Es fehlte sichtbar gemachte Wahrheit.

Heute zählt das Archiv 881 Personen und 623 bestätigte Familienverbindungen.
Es ist keine Sammlung von Namen mehr.
Es ist eine lebendige Struktur — die zu zeigen beginnt, was immer schon da war, aber nie mit Strenge geordnet wurde.

Und genau hier zeigt sich das Problem.

Bei der Überprüfung durchquerte ein Fehler unbemerkt Jahrzehnte:
Helena war als Schwester eingetragen… in Wahrheit war sie die Mutter.

Das ist kein technisches Detail.

So verzerrt sich Geschichte:
ein falscher Eintrag, im Stillen wiederholt, ohne Hinterfragen angenommen.

Heute steht Helena wieder an ihrem Platz.

Doch das wirft eine unausweichliche Frage auf:
wie viele andere Geschichten sind noch falsch — und niemand hat es bemerkt?

Dieses Archiv wächst nicht von allein.
Es hängt von denen ab, die noch Erinnerung tragen — bevor sie verschwindet.

Jeder Name, der hier nicht eintritt, verschwindet.
Jedes im Stillen aufbewahrte Dokument geht verloren.
Und was verloren geht, kommt nicht zurück.

Wenn Sie Informationen, Aufzeichnungen oder Geschichten der Familie haben, der Moment ist jetzt.

Denn der Unterschied zwischen irgendeinem Stammbaum und einem echten Archiv ist einfach:
der eine wiederholt, was gesagt wurde.
der andere überprüft — und korrigiert.

On 21 April 2026, this became evident.

While rebuilding the structure of the Wermelinger family, I found something simple — and uncomfortable: hundreds of real relationships were recorded… and invisible.

Data was not missing.
What was missing was truth being shown.

Today, the archive holds 881 people and 623 confirmed family links.
It is no longer a collection of names.
It is a living structure — that begins to reveal what was always there, but was never organised with rigour.

And this is where the problem appears.

During the review, an error had crossed decades without being noticed:
Helena had been recorded as a sister… when in truth she was the mother.

This is not a technical detail.

This is how history distorts itself:
a wrong record, repeated in silence, accepted without question.

Today, Helena has returned to her rightful place.

But this raises an inescapable question:
how many other stories are still wrong — and no one has noticed?

This archive does not grow by itself.
It depends on those who still hold memory — before it disappears.

Every name that does not enter here, vanishes.
Every document kept in silence, is lost.
And once lost, it does not return.

If you have information, records, or family stories, the moment is now.

Because the difference between just any tree and a real archive is simple:
one repeats what was said.
the other verifies — and corrects.

Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 21 de abril de 2026
Texto consolidado em três idiomas · Edição de 26 de abril de 2026
Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 21. April 2026
In drei Sprachen zusammengeführter Text · Ausgabe vom 26. April 2026
Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 21 April 2026
Text consolidated in three languages · Edition of 26 April 2026

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Sentado na floresta com os macacos — Xavier Wermelinger e a carta de Joste, 1825

Xavier Wermelinger e o sistema que falhou — ou funcionou exatamente como deveria Xavier Wermelinger und das System, das versagte — oder genau so funktionierte, wie es sollte Xavier Wermelinger and the system that failed — or worked exactly as it should

“Está portanto sentado na floresta com os macacos.” „Er sitzt also im Wald bei den Affen.“ “He sits, therefore, in the forest with the monkeys.”

Johann Baptist Joste · Médico suíço · 31 de dezembro de 1825 Johann Baptist Joste · Schweizer Arzt · 31. Dezember 1825 Johann Baptist Joste · Swiss physician · 31 December 1825

Foi assim que o médico suíço Johann Baptist Joste descreveu Xavier Wermelinger em 1825.

Não como herói.
Não como pioneiro.
Mas como alguém que havia sido empurrado para fora de um sistema que falhou — ou pior: que funcionou exatamente como deveria para alguns.

O que ninguém te contou sobre a colonização

Durante anos, repetiram a mesma narrativa:

Suíços vieram.
Trabalharam.
Prosperaram.

Bonito. Limpo. Conveniente.

Mas a carta de 31 de dezembro de 1825 destrói essa versão em poucas páginas.

Joste não escreve para inspirar.
Ele escreve para denunciar.

E o que ele denuncia é simples:

  • Dinheiro enviado da Europa foi desviado
  • Colonos foram deixados sem apoio
  • A distribuição foi manipulada
  • A colônia foi implantada em um lugar inadequado

Isso não é interpretação moderna.
Isso é relato contemporâneo.

O jogo era marcado

Os subsídios existiam.

Foram arrecadados com dinheiro de famílias, igrejas e governos na Europa.
Tinham destino claro: ajudar os emigrados.

Mas no Brasil, passaram por uma “comissão”.

E foi ali que o jogo virou.

Segundo Joste:

  • Um cônsul prussiano chamado Thermin controlava a distribuição
  • Um comerciante chamado Soll lucrava com empréstimos a juros
  • A lista de beneficiários favorecia francófonos
  • Os alemães ficavam com cruz ao lado do nome — ou seja: nada

Nada.

Enquanto alguns recebiam sacos de recursos, outros recebiam silêncio.

A colônia não era promessa — era armadilha

Morro Queimado.

O nome já era um aviso.

Uma região fria, de altitude, inadequada para o cultivo que havia sido prometido.

Café, banana, laranja — tudo morria com o frio.

Os colonos chegaram esperando o trópico.
Encontraram um erro de planejamento — ou uma decisão deliberada.

E enquanto ainda tinham dinheiro, estavam presos ali.

Quando ficaram sem nada… a “liberdade” apareceu.

Conveniente.

Xavier Wermelinger: o homem fora do sistema

No meio da lista de 24 famílias, aparece o nome:

Xavier Wermelinger, de Willisau.

Torneiro.
Esposa.
7 ou 8 filhos.
Situação: “apenas simples”.

Mas o detalhe que importa não é esse.

É este:

Arrendou o terreno nº 61 e mudou-se para Macaé.

Ele saiu.

Enquanto muitos ficaram presos na estrutura quebrada, Xavier fez o movimento mais importante que um colono podia fazer:

abandonou o sistema.

Foi para onde havia calor.
Para onde o café podia crescer.
Para onde existia chance real de sobrevivência.

“Sentado na floresta com os macacos”

A frase de Joste é frequentemente lida como ironia.

Mas lê direito.

Aquilo não é desprezo.
É diagnóstico.

Xavier não estava na colônia.
Não estava na estrutura.
Não estava sob controle.

Ele estava fora.

Na mata.
Isolado.
Sem ajuda.

Mas livre da engrenagem que esmagava os outros.

A verdade que fica

Xavier não foi beneficiado.

Não foi protegido.

Não foi privilegiado.

Ele não prosperou porque o sistema funcionou.

Ele sobreviveu apesar dele.

E isso muda tudo

Porque a história não começa com prosperidade.

Começa com ruptura.

Com saída.

Com decisão sob pressão.

O que veio depois — fazendas, cidades, descendentes — não nasceu de um plano bem-sucedido.

Nasceu de gente que percebeu cedo que o plano não funcionava.

E saiu.

Fonte

A carta original, escrita por Johann Baptist Joste em 1825, encontra-se hoje transcrita e preservada no Arquivo Wermelinger, com menção direta a Xavier Wermelinger e às condições reais da colônia suíça no Brasil.
Tiago Torres Wermelinger
Arquivo Wermelinger
Onde a história é verificada, não repetida.
Não preserva histórias bonitas. Preserva o que realmente aconteceu.

So beschrieb der Schweizer Arzt Johann Baptist Joste im Jahr 1825 Xavier Wermelinger.

Nicht als Held.
Nicht als Pionier.
Sondern als jemand, der aus einem System hinausgedrängt worden war, das versagt hatte — oder schlimmer: das genau so funktionierte, wie es für einige funktionieren sollte.

Was Ihnen niemand über die Kolonisation erzählt hat

Jahrelang wurde dieselbe Erzählung wiederholt:

Schweizer kamen.
Sie arbeiteten.
Sie hatten Erfolg.

Schön. Sauber. Bequem.

Doch der Brief vom 31. Dezember 1825 zerstört diese Fassung in wenigen Seiten.

Joste schreibt nicht, um zu inspirieren.
Er schreibt, um anzuklagen.

Und was er anklagt, ist einfach:

  • Aus Europa gesandtes Geld wurde abgezweigt
  • Die Siedler wurden ohne Unterstützung gelassen
  • Die Verteilung wurde manipuliert
  • Die Kolonie wurde an einem ungeeigneten Ort errichtet

Das ist keine moderne Auslegung.
Das ist zeitgenössischer Bericht.

Das Spiel war manipuliert

Die Subventionen gab es.

Sie wurden mit Geld von Familien, Kirchen und Regierungen in Europa zusammengetragen.
Sie hatten ein klares Ziel: den Auswanderern zu helfen.

Doch in Brasilien gingen sie durch eine „Kommission“.

Und dort drehte sich das Spiel.

Laut Joste:

  • Ein preussischer Konsul namens Thermin kontrollierte die Verteilung
  • Ein Kaufmann namens Soll profitierte durch verzinste Darlehen
  • Die Liste der Begünstigten bevorzugte Frankophone
  • Die Deutschen erhielten ein Kreuz neben dem Namen — das heißt: nichts

Nichts.

Während einige Säcke an Mitteln erhielten, erhielten andere Schweigen.

Die Kolonie war kein Versprechen — sie war eine Falle

Morro Queimado — verbrannter Hügel.

Der Name war bereits eine Warnung.

Eine kalte Hochlandregion, ungeeignet für den Anbau, der versprochen worden war.

Kaffee, Banane, Orange — alles erfror.

Die Siedler kamen und erwarteten die Tropen.
Sie fanden einen Planungsfehler — oder eine bewusste Entscheidung.

Und solange sie noch Geld hatten, waren sie dort gefangen.

Als sie nichts mehr hatten… erschien die „Freiheit“.

Bequem.

Xavier Wermelinger: der Mann ausserhalb des Systems

Mitten in der Liste von 24 Familien erscheint der Name:

Xavier Wermelinger, aus Willisau.

Drechsler.
Ehefrau.
7 oder 8 Kinder.
Lage: „nur einfach“.

Doch das entscheidende Detail ist nicht das.

Es ist dieses:

Hat das Grundstück Nr. 61 gepachtet und ist nach Macaé gezogen.

Er ging.

Während viele in der zerbrochenen Struktur gefangen blieben, machte Xavier den wichtigsten Zug, den ein Siedler machen konnte:

Er verliess das System.

Er ging dorthin, wo es warm war.
Wohin der Kaffee wachsen konnte.
Wo es eine echte Überlebenschance gab.

„Im Wald bei den Affen“

Der Satz von Joste wird oft als Ironie gelesen.

Aber lies ihn richtig.

Das ist keine Verachtung.
Es ist Diagnose.

Xavier war nicht in der Kolonie.
Nicht in der Struktur.
Nicht unter Kontrolle.

Er war draußen.

Im Wald.
Allein.
Ohne Hilfe.

Aber frei vom Getriebe, das die anderen zermalmte.

Die bleibende Wahrheit

Xavier wurde nicht begünstigt.

Er wurde nicht geschützt.

Er wurde nicht privilegiert.

Er hatte keinen Erfolg, weil das System funktionierte.

Er überlebte trotz des Systems.

Und das ändert alles

Denn die Geschichte beginnt nicht mit Wohlstand.

Sie beginnt mit Bruch.

Mit Aufbruch.

Mit einer Entscheidung unter Druck.

Was danach kam — Höfe, Städte, Nachfahren — entstand nicht aus einem gelungenen Plan.

Es entstand aus Menschen, die früh erkannten, dass der Plan nicht funktionierte.

Und gingen.

Quelle

Der Originalbrief, geschrieben von Johann Baptist Joste im Jahr 1825, wird heute transkribiert im Arquivo Wermelinger aufbewahrt, mit direkter Erwähnung von Xavier Wermelinger und der tatsächlichen Lage der Schweizer Kolonie in Brasilien.
Tiago Torres Wermelinger
Arquivo Wermelinger
Wo Geschichte geprüft wird, nicht wiederholt.
Bewahrt keine schönen Geschichten. Bewahrt, was wirklich geschah.

That is how the Swiss physician Johann Baptist Joste described Xavier Wermelinger in 1825.

Not as a hero.
Not as a pioneer.
But as someone who had been pushed out of a system that failed — or worse: that worked exactly as it was meant to, for some.

What no one told you about the colonisation

For years they repeated the same narrative:

The Swiss came.
They worked.
They prospered.

Beautiful. Clean. Convenient.

But the letter of 31 December 1825 destroys that version in a few pages.

Joste does not write to inspire.
He writes to denounce.

And what he denounces is simple:

  • Money sent from Europe was diverted
  • Settlers were left without support
  • The distribution was manipulated
  • The colony was set up in an unsuitable place

This is not modern interpretation.
This is contemporary record.

The game was rigged

The subsidies existed.

They were collected from families, churches, and governments across Europe.
Their purpose was clear: to help the emigrants.

But in Brazil, they passed through a “commission”.

And there is where the game turned.

According to Joste:

  • A Prussian consul named Thermin controlled the distribution
  • A merchant named Soll profited from interest-bearing loans
  • The list of beneficiaries favoured the francophones
  • The Germans got a cross next to their names — that is, nothing

Nothing.

While some received bags of resources, others received silence.

The colony was no promise — it was a trap

Morro Queimado — Burnt Hill.

The name itself was a warning.

A cold, high-altitude region, unsuited to the cultivation that had been promised.

Coffee, banana, orange — all died in the cold.

The settlers came expecting the tropics.
They found a planning error — or a deliberate decision.

And as long as they had money, they were trapped there.

When they had nothing left… “freedom” appeared.

Convenient.

Xavier Wermelinger: the man outside the system

In the middle of the list of 24 families, the name appears:

Xavier Wermelinger, of Willisau.

Turner.
Wife.
7 or 8 children.
Status: “merely simple”.

But the detail that matters is not that one.

It is this:

He leased plot No. 61 and moved to Macaé.

He left.

While many remained trapped in the broken structure, Xavier made the most important move a settler could make:

he abandoned the system.

He went where there was warmth.
Where coffee could grow.
Where there was a real chance of survival.

“Sitting in the forest with the monkeys”

Joste's phrase is often read as irony.

But read it properly.

That is not contempt.
It is diagnosis.

Xavier was not in the colony.
Not in the structure.
Not under control.

He was outside.

In the forest.
Isolated.
Without help.

But free of the machinery that crushed the others.

The truth that remains

Xavier was not favoured.

He was not protected.

He was not privileged.

He did not prosper because the system worked.

He survived in spite of it.

And this changes everything

Because the story does not begin with prosperity.

It begins with rupture.

With departure.

With a decision under pressure.

What came afterwards — farms, towns, descendants — was not born of a successful plan.

It was born of people who realised early that the plan did not work.

And left.

Source

The original letter, written by Johann Baptist Joste in 1825, is today transcribed and preserved in the Arquivo Wermelinger, with direct mention of Xavier Wermelinger and the actual conditions of the Swiss colony in Brazil.
Tiago Torres Wermelinger
Arquivo Wermelinger
Where history is verified, not repeated.
Does not preserve beautiful stories. Preserves what actually happened.

Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 2026
Texto consolidado em três idiomas
Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 2026
In drei Sprachen zusammengeführter Text
Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 2026
Text consolidated in three languages

sábado, 11 de abril de 2026

Xavier, o tecelão — O que o Dr. Jost escreveu sobre nosso patriarca em 1825

Fonte primária · 31 de dezembro de 1825 Originalquelle · 31. Dezember 1825 Primary source · 31 December 1825 Carta de Johann Baptist Jost Campos dos Goytacazes · Brasil · ao Schultheiss Amrhyn, em Lucerna Campos dos Goytacazes · Brasilien · an Schultheiss Amrhyn, Luzern Campos dos Goytacazes · Brazil · to Schultheiss Amrhyn, in Lucerne

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Na véspera do Ano Novo de 1825, um médico suíço sentou-se para escrever uma carta. Estava em Campos dos Goytacazes, a seis dias de viagem da colônia que havia deixado para trás. Tinha 46 anos, uma esposa, quatro filhos vivos, e uma raiva contida que não cabia mais no peito.

O médico chamava-se Johann Baptist Jost. Natural de Willisau, cantão de Lucerna, havia embarcado seis anos antes no mesmo navio que François Xavier Wermelinger — o Heureux Voyage, que de “viagem feliz” teve muito pouco. Agora, do outro lado do oceano, escrevia ao Schultheiss Amrhyn, chefe do governo de Lucerna, para prestar contas do que havia acontecido com cada uma das famílias lucernesas que tinham deixado a Suíça em julho de 1819.

A carta, datada de 31 de dezembro de 1825, encontra-se no Staatsarchiv Luzern, sob a signatura AKT 24/60.B.3. O texto completo foi publicado por Martin Nicoulin em La genèse de Nova Friburgo (páginas 296-303). É um documento extraordinário — um relato direto, sem filtros, de quem viveu o que descreve.

O vizinho de Willisau

Jost e Wermelinger não eram apenas conterrâneos. Na lista oficial dos emigrantes lucerneses (BF 52, Staatsarchiv Luzern), seus nomes aparecem lado a lado:

BF 52 · Staatsarchiv Luzern Entrada 35: Wermelinger Xavier — Willisau — 44 anos
Entrada 43: Jost Johann Baptist — Willisau — 40 anos — Arzt und Secretaire

Embarcaram juntos. Cruzaram o Atlântico no mesmo navio. Chegaram juntos a Nova Friburgo em 1º de janeiro de 1820. Xavier recebeu o lote nº 61. Jost recebeu outro lote na mesma colônia. Viveram como vizinhos nos primeiros anos, até que ambos, por razões diferentes, decidiram que aquela terra gelada e estéril não era lugar para criar filhos.

“Sitzt im Wald mit den Affen”

Na carta, Jost descreve cada família lucernesa — uma por uma, sem piedade e sem enfeite. Quando chega a vez de Xavier, escreve:

Original · Joste, AKT 24/60.B.3 Wermelinger Xavier, von Willisau, — Trexler, — s Frau, und 7 oder 8 Kindern; nur simple. Hat Colonie-Land No. 61 verpachtet, und zog aus nach Macahé, etwas besser und wärmer als Colonie Land für Café. — sitzt allso im Wald mit den Affen.
Tradução Wermelinger Xavier, de Willisau — tecelão — sua esposa e 7 ou 8 filhos; apenas simples. Arrendou o lote colonial nº 61 e mudou-se para Macaé, um pouco melhor e mais quente do que a terra da colônia para café. — Está, portanto, sentado na mata com os macacos.

O que essas linhas nos dizem

Cada palavra importa. Vejamos o que Jost revela:

Trexler — tecelão. Na lista oficial de 1819 (BF 52), a coluna de profissão de Xavier estava vazia, enquanto seus vizinhos de lista eram marcados como carpinteiros, sapateiros, padeiros e médicos. Agora sabemos: Xavier era tecelão. Trabalhava com tear em Willisau. Não era agricultor. Não era arteseo da construção. Era um homem das mãos finas — que foi colocado para derrubar floresta tropical com machado.

“Nur simple” — apenas simples. Jost não poupa ninguém em sua carta. Há quem ele chame de “bêbado”, de “vagabundo”, de “preguiçoso”. De Xavier, diz apenas que era “simples” — gente humilde, sem pretensões, sem dinheiro. Não é um insulto. É a constatação de que Xavier não tinha capital para comprar escravos, mulas ou fazendas prontas. Tinha apenas braços, família e teimosia.

“7 oder 8 Kindern” — 7 ou 8 filhos. Xavier embarcou com 6 filhos vivos (um sétimo, Johann Baptist, morreu a bordo em 28 de novembro de 1819, com apenas um ano de idade). Em 1825, seis anos depois da chegada, já havia 7 ou 8. Os filhos nascidos no Brasil já estavam chegando. A família crescia mesmo na adversidade.

“Verpachtet” — arrendou. Xavier não vendeu o lote 61 em Nova Friburgo. Arrendou-o. Manteve o vínculo com a terra que recebera, mas reconheceu que ali não era possível prosperar. A colônia ficava numa serra fria, onde, como o próprio Jost descreve em outro trecho da carta, “só nascem milho, feijão e batatas mal feitas; todos os frutos tropicais — bananas, abacaxis, café, laranjas, limões — crescem, mas morrem ao primeiro frio.”

“Macahé” — mudou-se para Macaé. Xavier desceu a serra. Buscou terra mais quente, mais baixa, onde o café pudesse crescer. Não foi sozinho: Jost anota que Josef Meyer, outro colono lucernês, “zog mit Wermelinger nach Macahé” — mudou-se junto com Wermelinger para Macaé. Iam juntos, como haviam ido juntos no navio, como haviam ido juntos de Willisau a Basileia, de Basileia a Roterdã, de Roterdã a Texel, de Texel ao Rio de Janeiro, do Rio a Nova Friburgo. A solidariedade entre conterrâneos era o que restava quando tudo o mais falhava.

“Sitzt im Wald mit den Affen” — está sentado na mata com os macacos. Essa frase é puro Jost: ácido, direto, quase cruel. Mas não é um julgamento — é uma descrição literal. Xavier estava em plena Mata Atlântica, derrubando árvores, plantando café, cercado de macacos. Um tecelão suíço de 50 anos, na floresta tropical de Macaé. A imagem é ao mesmo tempo absurda e heroica.

A trajetória que se desenha

Com a carta de Jost, podemos agora reconstruir os primeiros anos de Xavier no Brasil:

1819 · julho Parte de Willisau com a esposa Catharina Egglin (Kathrina Eggli) e seis filhos. Xavier tem 44 anos. Renuncia para sempre ao direito de cidadão de Lucerna.
1819 · 10 de outubro Embarca no Heureux Voyage em Texel, Holanda. O navio leva 442 colonos de Valais, Lucerna, Soleure e Schwyz.
1819 · 28 de novembro Johann Baptist Wermelinger, o filho mais novo, com apenas um ano de idade, morre a bordo. É um dos seis lucerneses mortos no mar — todos crianças.
1820 · 1º de janeiro Chega a Nova Friburgo. Recebe a casa nº 81 e o lote nº 61 em Morro Queimado.
1820–1822 Tenta cultivar a terra. O clima é frio demais. O café não vinga. As provisões prometidas pelo tratado não chegam, ou chegam nas mãos erradas. A fome ronda.
~1822–1825 Arrenda o lote 61 e desce para Macaé com Josef Meyer. Começa a plantar café em terra mais quente. Novos filhos nascem.
1825 · 31 de dezembro Jost, do outro lado do estado, registra o que ouviu: Xavier está na mata de Macaé com 7 ou 8 filhos. Simples. Vivo. Plantando.

Mais tarde, Xavier seguirá para a Aldeia da Pedra — atual Itaocara — onde, por volta de 1860, encontrará pessoalmente o diplomata suíço Johann Jakob von Tschudi e lhe dirá, com a autoridade de quem viveu tudo, que “os primeiros doze a quinze anos foram duros e cheios de amargas decepções, marcados pela miséria — mas depois, as coisas melhoraram, e ele vivia satisfeito.”

O Dr. Jost — um retrato

Vale conhecer o homem que escreveu sobre Xavier. Johann Baptist Jost nasceu em Willisau por volta de 1779. Era médico e secretário — o único profissional liberal entre os emigrantes lucerneses. Embarcou com a esposa Marianna Barth e seis filhos. Dois morreram nos primeiros meses: Marianna (3 anos) em 14 de janeiro de 1820, e Genovefa (6 meses) em 6 de dezembro de 1819.

Jost saiu da colônia em 1821. Passou três meses e meio na Aldeia da Pedra, depois três anos em São Fidélis, e finalmente estabeleceu-se em Campos dos Goytacazes, onde exerceu a medicina com licença imperial. Descrevia-se como “glücklich von 100 die 99 weg-practizierend” — “curando felizmente 99 de cada 100”.

Seu melhor amigo era Wendelin Rüttimann, ourives de Sursee, que em carta separada da mesma época escreveu: “Dr. Joste von Willisau ist immer mein bester Kamerad und Freund gewesen” — “o Dr. Jost de Willisau sempre foi meu melhor camarada e amigo.”

A carta de Jost não é neutra. Ele denuncia corrupção nos subsídios enviados da Suíça, acusa intermediários de roubo, e se revolta com a discriminação contra os colonos de fala alemã. Mas tampouco é injusto: reconhece que “quem saiu com Deus, quem saiu com prudência, quem pensou ‘todo começo é difícil’ e cuidou dos filhos — a esse não foi mal.”

Xavier Wermelinger, o tecelão simples que foi para a mata com os macacos, parece ter sido um desses.

As fontes

Este artigo baseia-se nas seguintes fontes primárias, todas preservadas no Staatsarchiv Luzern:

  • BF 52 — Lista oficial dos emigrantes lucerneses de 1819 (Nahmens-Verzeichnis der nach Brasilien ausgewanderten Individuen des Kantons Luzern)
  • AKT 24/60.B.3 — Carta de Johann Baptist Jost ao Schultheiss Amrhyn, 31 de dezembro de 1825
  • AKT 24/60.B.3 — Carta de Josef Wendelin Rüttimann a Eduard Pfyffer, 11 de agosto de 1825
  • AKT 24/60.A.3 — Carta de Franz Hunkeler ao Conselheiro Vinzenz Hegi, 20 de maio de 1820

O texto integral da carta de Jost foi publicado em: Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973, pp. 296–303.

Contexto histórico geral: Bossard-Borner, Heidi, Im Bann der Revolution. Der Kanton Luzern 1798–1831/5, Luzern, 1998 (LHV 34), p. 297.

Am Vorabend des Neujahrs 1825 setzte sich ein Schweizer Arzt hin, um einen Brief zu schreiben. Er war in Campos dos Goytacazes, sechs Tagereisen von der Kolonie entfernt, die er hinter sich gelassen hatte. Er war 46 Jahre alt, hatte eine Frau, vier lebende Kinder und einen verhaltenen Zorn, der nicht mehr in seine Brust passte.

Der Arzt hiess Johann Baptist Jost. Geboren in Willisau im Kanton Luzern, war er sechs Jahre zuvor auf demselben Schiff wie François Xavier Wermelinger ausgewandert — der Heureux Voyage, deren „glückliche Reise“ sehr wenig glücklich war. Nun, auf der anderen Seite des Ozeans, schrieb er an Schultheiss Amrhyn, das Oberhaupt der Luzerner Regierung, um Rechenschaft über das Schicksal jeder einzelnen Luzerner Familie abzulegen, die im Juli 1819 die Schweiz verlassen hatte.

Der Brief vom 31. Dezember 1825 befindet sich im Staatsarchiv Luzern unter der Signatur AKT 24/60.B.3. Der vollständige Text wurde von Martin Nicoulin in La genèse de Nova Friburgo (Seiten 296–303) veröffentlicht. Es ist ein aussergewöhnliches Dokument — ein direkter, ungefilterter Bericht von jemandem, der das Beschriebene selbst durchlebt hat.

Der Nachbar aus Willisau

Jost und Wermelinger waren nicht nur Landsleute. In der offiziellen Liste der Luzerner Auswanderer (BF 52, Staatsarchiv Luzern) erscheinen ihre Namen unmittelbar nebeneinander:

BF 52 · Staatsarchiv Luzern Eintrag 35: Wermelinger Xavier — Willisau — 44 Jahre
Eintrag 43: Jost Johann Baptist — Willisau — 40 Jahre — Arzt und Secretaire

Sie schifften sich gemeinsam ein. Sie überquerten den Atlantik auf demselben Schiff. Sie kamen am 1. Januar 1820 gemeinsam in Nova Friburgo an. Xavier erhielt das Grundstück Nr. 61. Jost erhielt ein anderes Grundstück in derselben Kolonie. In den ersten Jahren lebten sie als Nachbarn, bis beide aus unterschiedlichen Gründen zum Schluss kamen, dass dieses kalte und unfruchtbare Land kein Ort war, um Kinder grosszuziehen.

„Sitzt im Wald mit den Affen“

In dem Brief beschreibt Jost jede Luzerner Familie — eine nach der anderen, ohne Mitleid und ohne Schmuck. Als er auf Xavier zu sprechen kommt, schreibt er:

Originalfassung · Joste, AKT 24/60.B.3 Wermelinger Xavier, von Willisau, — Trexler, — s Frau, und 7 oder 8 Kindern; nur simple. Hat Colonie-Land No. 61 verpachtet, und zog aus nach Macahé, etwas besser und wärmer als Colonie Land für Café. — sitzt allso im Wald mit den Affen.

Was uns diese Zeilen sagen

Jedes Wort zählt. Sehen wir, was Jost offenbart:

Trexler — Weber. In der offiziellen Liste von 1819 (BF 52) blieb die Berufsspalte Xaviers leer, während seine Listennachbarn als Schreiner, Schuster, Bäcker und Ärzte verzeichnet waren. Nun wissen wir es: Xavier war Weber. Er arbeitete in Willisau am Webstuhl. Er war kein Bauer. Er war kein Bauhandwerker. Er war ein Mann mit feinen Händen — den man hinstellte, um mit der Axt tropischen Urwald zu fällen.

„Nur simple“. Jost verschont in seinem Brief niemanden. Manche nennt er „Säufer“, „Tagdieb“ oder „faul“. Über Xavier sagt er nur, er sei „simpel“ gewesen — einfache Leute, ohne Ansprüche, ohne Geld. Es ist keine Beleidigung. Es ist die Feststellung, dass Xavier kein Kapital hatte, um Sklaven, Maultiere oder fertige Pflanzungen zu kaufen. Er hatte nur Arme, Familie und Beharrlichkeit.

„7 oder 8 Kindern“. Xavier war mit 6 lebenden Kindern an Bord gegangen (ein siebtes, Johann Baptist, starb am 28. November 1819 an Bord, gerade ein Jahr alt). 1825, sechs Jahre nach der Ankunft, waren es bereits 7 oder 8. Die in Brasilien geborenen Kinder kamen schon zur Welt. Die Familie wuchs trotz der Widrigkeiten.

„Verpachtet“. Xavier verkaufte das Grundstück 61 in Nova Friburgo nicht. Er verpachtete es. Er behielt die Bindung an das Land, das er erhalten hatte, erkannte aber, dass dort kein Auskommen möglich war. Die Kolonie lag in einer kalten Bergregion, wo, wie Jost selbst an anderer Stelle des Briefes beschreibt, „nur Mais, Bohnen und schlecht geratene Kartoffeln gedeihen; alle tropischen Früchte — Bananen, Ananas, Kaffee, Orangen, Zitronen — wachsen zwar, sterben aber bei der ersten Kälte ab.“

„Macahé“ — er zog nach Macaé. Xavier stieg von der Serra hinab. Er suchte wärmeres, niedriger gelegenes Land, wo der Kaffee wachsen konnte. Er war nicht allein: Jost vermerkt, dass Josef Meyer, ein anderer Luzerner Siedler, „zog mit Wermelinger nach Macahé“ — gemeinsam mit Wermelinger nach Macaé zog. Sie gingen zusammen, wie sie zusammen auf dem Schiff gewesen waren, wie sie zusammen von Willisau nach Basel, von Basel nach Rotterdam, von Rotterdam nach Texel, von Texel nach Rio de Janeiro, von Rio nach Nova Friburgo gegangen waren. Die Solidarität unter Landsleuten war das, was übrigblieb, als alles andere versagte.

„Sitzt im Wald mit den Affen“. Dieser Satz ist reiner Jost: bissig, direkt, fast grausam. Aber es ist kein Urteil — es ist eine wörtliche Beschreibung. Xavier war mitten im atlantischen Regenwald, schlug Bäume um, pflanzte Kaffee, umgeben von Affen. Ein Schweizer Weber, 50 Jahre alt, im tropischen Wald von Macaé. Das Bild ist gleichzeitig absurd und heldenhaft.

Die sich abzeichnende Bahn

Mit Josts Brief können wir nun die ersten Jahre Xaviers in Brasilien rekonstruieren:

1819 · Juli Bricht aus Willisau auf, mit seiner Frau Catharina Egglin (Kathrina Eggli) und sechs Kindern. Xavier ist 44 Jahre alt. Er verzichtet auf immer auf das Luzerner Bürgerrecht.
1819 · 10. Oktober Schifft sich auf der Heureux Voyage in Texel, Holland, ein. Das Schiff führt 442 Siedler aus Wallis, Luzern, Solothurn und Schwyz.
1819 · 28. November Johann Baptist Wermelinger, das jüngste Kind, gerade ein Jahr alt, stirbt an Bord. Er ist eines von sechs auf See verstorbenen Luzernern — alle Kinder.
1820 · 1. Januar Trifft in Nova Friburgo ein. Erhält das Haus Nr. 81 und das Grundstück Nr. 61 in Morro Queimado.
1820–1822 Versucht, das Land zu bestellen. Das Klima ist zu kalt. Der Kaffee gedeiht nicht. Die im Vertrag versprochenen Vorräte kommen nicht an oder geraten in falsche Hände. Der Hunger geht um.
~1822–1825 Verpachtet das Grundstück 61 und zieht mit Josef Meyer nach Macaé. Beginnt, in wärmerem Land Kaffee zu pflanzen. Neue Kinder werden geboren.
1825 · 31. Dezember Jost, vom anderen Ende des Bundesstaats aus, hält fest, was er gehört hat: Xavier ist im Wald von Macaé mit 7 oder 8 Kindern. Einfach. Lebendig. Pflanzend.

Später wird Xavier weiter nach Aldeia da Pedra ziehen — das heutige Itaocara — wo er um 1860 dem Schweizer Diplomaten Johann Jakob von Tschudi persönlich begegnet und ihm mit der Autorität dessen, der alles erlebt hat, sagen wird, dass „die ersten zwölf bis fünfzehn Jahre hart und voller bitterer Enttäuschungen waren, geprägt vom Elend — aber danach besserten sich die Dinge, und er lebte zufrieden.“

Dr. Jost — ein Porträt

Es lohnt sich, den Mann kennenzulernen, der über Xavier schrieb. Johann Baptist Jost wurde um 1779 in Willisau geboren. Er war Arzt und Sekretär — der einzige akademisch Ausgebildete unter den Luzerner Auswanderern. Er war mit seiner Frau Marianna Barth und sechs Kindern abgereist. Zwei starben in den ersten Monaten: Marianna (3 Jahre) am 14. Januar 1820, und Genovefa (6 Monate) am 6. Dezember 1819.

Jost verliess die Kolonie 1821. Er verbrachte dreieinhalb Monate in Aldeia da Pedra, dann drei volle Jahre in São Fidélis, und liess sich schliesslich in Campos dos Goytacazes nieder, wo er die Medizin mit kaiserlicher Lizenz ausübte. Er beschrieb sich selbst als „glücklich von 100 die 99 weg-practizierend“.

Sein bester Freund war Wendelin Rüttimann, Goldschmied aus Sursee, der in einem separaten Brief aus derselben Zeit schrieb: „Dr. Joste von Willisau ist immer mein bester Kamerad und Freund gewesen.“

Josts Brief ist nicht neutral. Er prangert die Korruption bei den aus der Schweiz gesandten Hilfsgeldern an, beschuldigt Mittelsmänner des Diebstahls und empört sich über die Diskriminierung der deutschsprachigen Siedler. Aber er ist auch nicht ungerecht: Er erkennt an, dass „wer mit Gott auszog, wer mit Bedacht auszog, wer dachte ‘aller Anfang ist schwer’ und seine Kinder versorgte — dem ist es nicht schlecht ergangen.“

Xavier Wermelinger, der einfache Weber, der mit den Affen in den Wald ging, scheint einer von diesen gewesen zu sein.

Die Quellen

Dieser Artikel stützt sich auf folgende primäre Quellen, alle aufbewahrt im Staatsarchiv Luzern:

  • BF 52 — Offizielle Liste der Luzerner Auswanderer von 1819 (Nahmens-Verzeichnis der nach Brasilien ausgewanderten Individuen des Kantons Luzern)
  • AKT 24/60.B.3 — Brief von Johann Baptist Jost an Schultheiss Amrhyn, 31. Dezember 1825
  • AKT 24/60.B.3 — Brief von Josef Wendelin Rüttimann an Eduard Pfyffer, 11. August 1825
  • AKT 24/60.A.3 — Brief von Franz Hunkeler an Rat Vinzenz Hegi, 20. Mai 1820

Der vollständige Text des Briefes von Jost wurde veröffentlicht in: Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973, S. 296–303.

Allgemeiner historischer Kontext: Bossard-Borner, Heidi, Im Bann der Revolution. Der Kanton Luzern 1798–1831/5, Luzern, 1998 (LHV 34), S. 297.

On the eve of the New Year of 1825, a Swiss physician sat down to write a letter. He was in Campos dos Goytacazes, six days' journey from the colony he had left behind. He was 46 years old, with a wife, four living children, and a contained anger that no longer fit in his chest.

The physician's name was Johann Baptist Jost. Native of Willisau, in the canton of Lucerne, he had embarked six years earlier on the same ship as François Xavier Wermelinger — the Heureux Voyage, whose “happy voyage” had been very little of either. Now, on the other side of the ocean, he wrote to Schultheiss Amrhyn, head of the Lucerne government, to give an account of what had happened to each Lucerne family that had left Switzerland in July 1819.

The letter, dated 31 December 1825, is held at the Staatsarchiv Luzern under the call number AKT 24/60.B.3. The full text was published by Martin Nicoulin in La genèse de Nova Friburgo (pages 296–303). It is an extraordinary document — a direct, unfiltered account from someone who lived what he describes.

The neighbour from Willisau

Jost and Wermelinger were not only fellow countrymen. In the official list of Lucerne emigrants (BF 52, Staatsarchiv Luzern), their names appear side by side:

BF 52 · Staatsarchiv Luzern Entry 35: Wermelinger Xavier — Willisau — 44 years
Entry 43: Jost Johann Baptist — Willisau — 40 years — Arzt und Secretaire

They embarked together. They crossed the Atlantic on the same ship. They arrived together in Nova Friburgo on 1 January 1820. Xavier received plot No. 61. Jost received another plot in the same colony. They lived as neighbours during the first years, until both, for different reasons, decided that this cold and barren land was no place to raise children.

„Sitzt im Wald mit den Affen“

In the letter, Jost describes each Lucerne family — one by one, without mercy and without ornament. When he comes to Xavier, he writes:

German original · Joste, AKT 24/60.B.3 Wermelinger Xavier, von Willisau, — Trexler, — s Frau, und 7 oder 8 Kindern; nur simple. Hat Colonie-Land No. 61 verpachtet, und zog aus nach Macahé, etwas besser und wärmer als Colonie Land für Café. — sitzt allso im Wald mit den Affen.
English translation Wermelinger Xavier, of Willisau — weaver — his wife, and 7 or 8 children; merely simple. Leased the colonial plot No. 61, and moved to Macaé, somewhat better and warmer than the colonial land for coffee. — he is therefore sitting in the forest with the monkeys.

What these lines tell us

Every word matters. Let us see what Jost reveals:

Trexler — weaver. In the official list of 1819 (BF 52), Xavier's profession column had been left blank, while his list-neighbours were marked as carpenters, shoemakers, bakers and physicians. Now we know: Xavier was a weaver. He worked at the loom in Willisau. He was not a farmer. He was not a building craftsman. He was a man of fine hands — whom they set to fell tropical forest with an axe.

“Nur simple” — merely simple. Jost spares no one in his letter. Some he calls “drunkard”, others “loafer”, others “lazy”. Of Xavier, he says only that he was “simple” — humble folk, without pretensions, without money. It is not an insult. It is the observation that Xavier had no capital to buy slaves, mules, or ready-made farms. He had only arms, family, and stubbornness.

“7 oder 8 Kindern” — 7 or 8 children. Xavier embarked with 6 living children (a seventh, Johann Baptist, died on board on 28 November 1819, just one year old). By 1825, six years after arrival, there were already 7 or 8. The Brazil-born children were already arriving. The family was growing even amid hardship.

“Verpachtet” — leased. Xavier did not sell plot 61 in Nova Friburgo. He leased it. He kept the bond with the land he had received, but recognised that there was no prospering there. The colony lay in a cold mountain region, where, as Jost himself describes elsewhere in the letter, “only maize, beans, and ill-formed potatoes grow; all tropical fruits — bananas, pineapples, coffee, oranges, lemons — do grow, but die at the first cold.”

“Macahé” — moved to Macaé. Xavier descended the mountains. He sought warmer, lower-lying land, where coffee could grow. He did not go alone: Jost notes that Josef Meyer, another Lucerne settler, “zog mit Wermelinger nach Macahé” — moved together with Wermelinger to Macaé. They went together, as they had been together on the ship, as they had gone together from Willisau to Basel, from Basel to Rotterdam, from Rotterdam to Texel, from Texel to Rio de Janeiro, from Rio to Nova Friburgo. Solidarity among countrymen was what remained when everything else failed.

“Sitzt im Wald mit den Affen” — sitting in the forest with the monkeys. This phrase is pure Jost: acid, direct, almost cruel. But it is not a judgement — it is a literal description. Xavier was deep in the Atlantic Forest, felling trees, planting coffee, surrounded by monkeys. A Swiss weaver, 50 years old, in the tropical forest of Macaé. The image is at once absurd and heroic.

The trajectory taking shape

With Jost's letter, we can now reconstruct Xavier's first years in Brazil:

1819 · July Departs from Willisau with his wife Catharina Egglin (Kathrina Eggli) and six children. Xavier is 44 years old. He renounces forever his right of citizenship in Lucerne.
1819 · 10 October Embarks on the Heureux Voyage at Texel, Holland. The ship carries 442 settlers from Valais, Lucerne, Solothurn and Schwyz.
1819 · 28 November Johann Baptist Wermelinger, the youngest child, only one year old, dies on board. He is one of the six Lucerners who died at sea — all of them children.
1820 · 1 January Arrives in Nova Friburgo. Receives house No. 81 and plot No. 61 in Morro Queimado.
1820–1822 Tries to cultivate the land. The climate is too cold. Coffee will not take. The provisions promised by the treaty fail to arrive, or arrive in the wrong hands. Hunger circles.
~1822–1825 Leases plot 61 and descends to Macaé with Josef Meyer. Begins to plant coffee on warmer land. New children are born.
1825 · 31 December Jost, from the other side of the state, records what he has heard: Xavier is in the forest of Macaé with 7 or 8 children. Simple. Alive. Planting.

Later, Xavier will move on to Aldeia da Pedra — today's Itaocara — where, around 1860, he will personally meet the Swiss diplomat Johann Jakob von Tschudi and tell him, with the authority of one who has lived through everything, that “the first twelve to fifteen years were hard and full of bitter disappointments, marked by misery — but afterwards, things improved, and he lived contentedly.”

Dr. Jost — a portrait

It is worth knowing the man who wrote about Xavier. Johann Baptist Jost was born in Willisau around 1779. He was a physician and secretary — the only liberal professional among the Lucerne emigrants. He embarked with his wife Marianna Barth and six children. Two died in the first months: Marianna (3 years) on 14 January 1820, and Genovefa (6 months) on 6 December 1819.

Jost left the colony in 1821. He spent three and a half months in Aldeia da Pedra, then three full years in São Fidélis, and finally settled in Campos dos Goytacazes, where he practised medicine with imperial licence. He described himself as “glücklich von 100 die 99 weg-practizierend” — “happily curing 99 out of every 100”.

His best friend was Wendelin Rüttimann, goldsmith of Sursee, who in a separate letter from the same period wrote: “Dr. Joste von Willisau ist immer mein bester Kamerad und Freund gewesen” — “Dr. Jost of Willisau has always been my best comrade and friend.”

Jost's letter is not neutral. He denounces the corruption of the subsidies sent from Switzerland, accuses intermediaries of theft, and rails against the discrimination towards the German-speaking settlers. But he is not unjust either: he recognises that “he who set out with God, who set out with prudence, who thought 'all beginnings are difficult' and looked after his children — he did not fare badly.”

Xavier Wermelinger, the simple weaver who went into the forest with the monkeys, seems to have been one of those.

The sources

This article draws on the following primary sources, all preserved at the Staatsarchiv Luzern:

  • BF 52 — Official list of Lucerne emigrants of 1819 (Nahmens-Verzeichnis der nach Brasilien ausgewanderten Individuen des Kantons Luzern)
  • AKT 24/60.B.3 — Letter from Johann Baptist Jost to Schultheiss Amrhyn, 31 December 1825
  • AKT 24/60.B.3 — Letter from Josef Wendelin Rüttimann to Eduard Pfyffer, 11 August 1825
  • AKT 24/60.A.3 — Letter from Franz Hunkeler to Councillor Vinzenz Hegi, 20 May 1820

The full text of Jost's letter was published in: Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973, pp. 296–303.

General historical context: Bossard-Borner, Heidi, Im Bann der Revolution. Der Kanton Luzern 1798–1831/5, Luzern, 1998 (LHV 34), p. 297.

Anexo I · Lista oficial dos emigrantes lucerneses, 1819 (excerto) Anhang I · Offizielle Liste der Luzerner Auswanderer, 1819 (Auszug) Appendix I · Official list of Lucerne emigrants, 1819 (excerpt)

FonteQuelleSource: Staatsarchiv Luzern, signaturaSignaturcall number BF 52
Nahmens-Verzeichnis der nach Brasilien ausgewanderten Individuen des Kantons Luzern, 1819

O documento original registra que os emigrantes partiram em 12 de julho de 1819 (“unterm 12. Heumonat”), sob a supervisão do comissário Hauptmann Kaspar Theiler de Lucerna, e que renunciaram para sempre ao direito de cidadania no cantão de Lucerna (“auf immer auf ihr bisher im Kanton Luzern besessenes Heimatrecht Verzicht geleistet”).

Das Originaldokument hält fest, dass die Auswanderer am 12. Juli 1819 („unterm 12. Heumonat“) unter der Aufsicht von Kommissär Hauptmann Kaspar Theiler aus Luzern abreisten und auf immer auf ihr bisher im Kanton Luzern besessenes Heimatrecht Verzicht geleistet haben.

The original document records that the emigrants departed on 12 July 1819 (“unterm 12. Heumonat”), under the supervision of Commissioner Hauptmann Kaspar Theiler of Lucerne, and that they renounced forever their right of citizenship in the canton of Lucerne (“auf immer auf ihr bisher im Kanton Luzern besessenes Heimatrecht Verzicht geleistet”).

Amt Willisau · Entrada da família Wermelinger Amt Willisau · Eintrag der Familie Wermelinger Amt Willisau · Wermelinger family entry

NomeNameName Heimatgemeinde Aufenthaltsort IdadeAlterAge Beruf Tod
35Wermelinger XavierWillisauWillisau44
36Kathrina Eggli37
371. Xavier (filho)(Sohn)(son)10
382. Josef7
393. Steffan6
404. Johann Baptist128.11.1819
415. Kathrina9
426. Marianna4

Entrada seguinte · família Jost (vizinhos em Willisau) Nächster Eintrag · Familie Jost (Nachbarn in Willisau) Next entry · Jost family (neighbours in Willisau)

NomeNameName Heimatgemeinde Aufenthaltsort IdadeAlterAge Beruf Tod
43Jost Johann BaptistWillisauWillisau40Arzt und Secretaire
44Marianna Barth
451. Johann Baptist9
462. Anton7
473. Thomas6
484. Franz4
495. Marianna314.1.1820
506. Genovefa½6.12.1819

Nota: A última coluna (Sterbedatum) foi acrescentada posteriormente com base em fontes secundárias. Anmerkung: Die letzte Spalte (Sterbedatum) wurde nachträglich anhand von Sekundärquellen ergänzt. Note: The last column (Sterbedatum — date of death) was added later based on secondary sources.

Anexo II · Carta do Dr. Johann Baptist Jost, 31 de dezembro de 1825 (excertos) Anhang II · Brief von Dr. Johann Baptist Jost, 31. Dezember 1825 (Auszüge) Appendix II · Letter from Dr. Johann Baptist Jost, 31 December 1825 (excerpts)

FonteQuelleSource: Staatsarchiv Luzern, AKT 24/60.B.3
RemetenteAbsenderSender: Joh. Bapt. Joste, Arzt und Wundarzt, Campos dos Goytacazes
DestinatárioEmpfängerRecipient: Schultheiss Amrhyn, Luzern
PublicaçãoVeröffentlichungPublication: Nicoulin, La genèse de Nova Friburgo, Fribourg, 1973, pp. 296–303

Trecho original · entrada nº 12 (Xavier Wermelinger) Originalauszug · Eintrag Nr. 12 (Xavier Wermelinger) Original passage · entry No. 12 (Xavier Wermelinger)

12. Wermelinger Xavier, von Willisau, — Trexler, — s Frau, und 7 oder 8 Kindern; nur simple. Hat Colonie-Land No. 61 verpachtet, und zog aus nach Macahé, etwas besser und wärmer als Colonie Land für Café. — sitzt allso im Wald mit den Affen.
Tradução Wermelinger Xavier, de Willisau — tecelão — sua esposa e 7 ou 8 filhos; apenas simples. Arrendou o lote colonial nº 61 e mudou-se para Macaé, um pouco melhor e mais quente do que a terra da colônia para café. Está, portanto, sentado na mata com os macacos.
English translation Wermelinger Xavier, of Willisau — weaver — his wife and 7 or 8 children; merely simple. Leased the colonial plot No. 61 and moved to Macaé, somewhat better and warmer than the colonial land for coffee. He is therefore sitting in the forest with the monkeys.

Trecho original · entrada nº 10 (Josef Meyer) Originalauszug · Eintrag Nr. 10 (Josef Meyer) Original passage · entry No. 10 (Josef Meyer)

10. Meyer Jos. — schon 2 mal Witwer in Colonie, und sey wieder verehel. — halbhölzerner Kerl, so-so. Zog mit Wermelinger nach Macahé, um Cafe-pflanzen. zanken alle Nachbarn brav Tochter in Rio verheyr. Sohn Jos. — weiss nicht.
Tradução Meyer Josef — já duas vezes viúvo na colônia, e casou-se de novo — sujeito meio grosso, assim-assim. Mudou-se com Wermelinger para Macaé para plantar café. Briga bravamente com todos os vizinhos. Filha casada no Rio. Filho Josef — não sei.
English translation Meyer Josef — already twice widowed in the colony, and married again — coarse fellow, so-so. Moved with Wermelinger to Macaé to plant coffee. Quarrels mightily with all the neighbours. Daughter married in Rio. Son Josef — do not know.

Trecho original · sobre a terra da colônia Originalauszug · über das Land der Kolonie Original passage · on the land of the colony

Denn Morro-Queimado liegt in einer hohen kalten u. angeerischen Serra, oder Gebirgskette, bey 40 Meilen, wie Bündten-Glarus,-Uri,-Wallis etc. zusammengesetzt allso hin und wieder nur ein etwas besseres Hochthal darin, um Bohnen, Mais, Kartoffeln bös, und Garten-Gewächs zu pflanzen; denn alle Süd- und hinländischen zahme Gewächse und Früchten, z.B. Bananas, Ananas, Café, -Pommeranzen, Zitronen u. s. w. Hunderte, wachsen zwar, sterben aber bey erstem Kaltwerden wieder ab.
Tradução Pois Morro Queimado fica numa serra alta, fria e hostil, a 40 milhas, como Grisões-Glaris-Uri-Valais juntos — portanto, aqui e ali apenas um vale alto um pouco melhor, para plantar feijão, milho, batatas mal feitas e hortaliças; pois todos os frutos tropicais cultivados — bananas, abacaxis, café, laranjas, limões etc. — crescem, é verdade, mas morrem ao primeiro frio.
English translation For Morro Queimado lies in a high, cold and hostile mountain range, some 40 miles long, like Grisons-Glarus-Uri-Valais all together — therefore only here and there a slightly better upland valley, for planting beans, maize, ill-formed potatoes, and garden produce; for all the tropical cultivated plants and fruits — bananas, pineapples, coffee, oranges, lemons, etc. — do grow, but die at the first cold.

Trecho original · sobre quem prosperou Originalauszug · über jene, die es schafften Original passage · on those who prospered

Wer auszog mit Gott! — wer auszog mit Bedacht! wer daran dachte: — Aller Anfang ist schwer, und Wir Eltern werden vieles erfahren, und leiden müssen die Ersten Jahre, es ist aber unsere hohe Pflicht für unsere lieben Kinder zu sorgen, und Ihnen zu Ihrem Auf- und Fortkommen zu helfen.
Tradução Quem saiu com Deus! Quem saiu com prudência! Quem pensou: todo começo é difícil, e nós, pais, teremos de suportar e sofrer muito nos primeiros anos, mas é nosso alto dever cuidar dos nossos queridos filhos e ajudá-los a progredir e prosperar.
English translation He who set out with God! He who set out with prudence! He who thought: every beginning is hard, and we parents will have to endure and suffer much in the first years — but it is our high duty to provide for our beloved children and to help them advance and prosper.

Trecho original · sobre a corrupção nos subsídios Originalauszug · über die Korruption bei den Hilfsgeldern Original passage · on the corruption of the subsidies

Dass die armen Colonisten immerfort, von Anfang bis Dato, um eigenes, mitgebrachtes, versprochenes lt. Tractat, und Nachgesandtes zur Aufhilfe, beeinträchtigt, betrogen, u. bestohlen worden.
Tradução Que os pobres colonos foram, desde o início até hoje, prejudicados, enganados e roubados — tanto no que era próprio e trazido de casa, como no que lhes fora prometido pelo tratado, e no que lhes foi enviado posteriormente como auxílio.
English translation That the poor colonists, from the beginning until today, have been wronged, deceived, and robbed — in what was their own and brought from home, in what had been promised them by the treaty, and in what was sent later as aid.

Trecho original · sobre o próprio Jost Originalauszug · über Jost selbst Original passage · about Jost himself

16. Joste, Joh. Bapt., von Willisau, seit 1821 Spätjahr. erstlich 3 1/2 Mon. in Aldéa de Pedra, bey Capuziner Ths. di Castelli etc., dann 3 volle Jahr bei Aldéa de S. Fideles, izt seit Ende März hier in Stadt Campos etabliert, und mit Kayserl. Patente als Arzt und Chirurg, glücklich von 100 = die 99 weg-practizierend; Mit Frau und 4 Knaben, gut zufrieden.
Tradução Jost, Joh. Bapt., de Willisau, desde o outono de 1821. Primeiro 3½ meses na Aldeia da Pedra, com os capuchinhos de Ths. di Castelli etc., depois 3 anos inteiros em Aldeia de São Fidélis, agora desde fins de março aqui na cidade de Campos estabelecido, e com patente imperial como médico e cirurgião, felizmente curando 99 de cada 100; com esposa e 4 meninos, bem satisfeito.
English translation Jost, Joh. Bapt., of Willisau, since the autumn of 1821. First three and a half months at Aldeia da Pedra, with the Capuchin Ths. di Castelli etc., then three full years at Aldeia de São Fidélis, now since the end of March established here in the town of Campos, and with imperial licence as physician and surgeon, happily curing 99 out of every 100; with wife and 4 boys, well content.

Assinatura Unterschrift Signature

Das wünscht aus innigstem Hertzen Hochderselben! immerfort dankbarer, und getreuer alter Mitbürger und Diener, Joh. Bapt. Joste, Arzt und Wundarzt, m.p. Beendigt heute den 31 Dezbre 1825.

Anexo III · Carta de Franz Hunkeler, 20 de maio de 1820 (excertos) Anhang III · Brief von Franz Hunkeler, 20. Mai 1820 (Auszüge) Appendix III · Letter from Franz Hunkeler, 20 May 1820 (excerpts)

FonteQuelleSource: Staatsarchiv Luzern, AKT 24/60.A.3
RemetenteAbsenderSender: Franz Hunkeler, Nova Friburgo
DestinatárioEmpfängerRecipient: Rat Vinzenz Hegi, Luzern

Sobre as mortes no mar Über die Todesfälle auf dem Meer On the deaths at sea

Von dem Luzerner Convoi starben auf dem Meer nicht mehr als 6 Personen jedoch nur Kinder, nemlich 3 dem Josef Huober, 1 dem X. Wermelinger, und 2 dem Haslimann, obschon wir sehr enge eingepackt wurden.
Tradução Do comboio de Lucerna não morreram no mar mais que 6 pessoas, porém apenas crianças: 3 de Josef Huber, 1 de X. Wermelinger, e 2 de Haslimann, embora estivéssemos amontoados muito apertados.
English translation Of the Lucerne convoy, no more than 6 persons died at sea, but only children: 3 of Josef Huber, 1 of X. Wermelinger, and 2 of Haslimann, although we had been packed in very tightly.

Sobre a travessia Über die Überfahrt On the crossing

Den 11ten Oktober 1819 fuhren wir 450 Köpf auf dem Schiffe der glücklichen Reise in Texel in Holland ab. Wir hatten immer guten Wind und würden gewiss in 7 Wochen in Rio Janeiro angekommen sein, wenn uns nicht auf dem Canarischen Meer nicht alle 3 Mastbäume abgebrochen wären.
Tradução Em 11 de outubro de 1819 partimos, 450 almas no navio da Viagem Feliz, de Texel na Holanda. Tivemos sempre bom vento e certamente teríamos chegado ao Rio de Janeiro em 7 semanas, se no mar das Canárias não tivessem quebrado todos os 3 mastros.
English translation On 11 October 1819 we set sail, 450 souls aboard the ship of the Happy Voyage, from Texel in Holland. We always had good wind and would surely have reached Rio de Janeiro in 7 weeks, had not all 3 masts been broken on the Canary Sea.

Sobre a chegada e as condições Über die Ankunft und die Verhältnisse On the arrival and the conditions

Nichts ist auf dem Meer zu fürchten als bei einem solchen Transport von Menschen, so dass viele Ungeziefer, alles, niemand ausgenommen wird voll Läuse und Flöch.
Tradução Nada há a temer no mar, a não ser, num transporte de gente como este, a praga de parasitas: todos, sem exceção, ficam cobertos de piolhos e pulgas.
English translation There is nothing to fear at sea, except, in such a transport of people, the plague of vermin: all, without exception, become covered with lice and fleas.

Lista de mortos lucerneses até maio de 1820 Liste der Luzerner Toten bis Mai 1820 List of Lucerne dead up to May 1820

Gestorben sind nun von Luzern von Haus bis dato:
a. von Familie Büttler Kind — 2
b. Haslimann Kind — 2
c. Hecht Alois Sohn — 1
d. Huobers Frau und Kinder — 5
e. Hunkelers Frau und 2 Kinder — 3
f. Luterbach alt und Kind — 2
g. Meyers Frau und 2 Kind — 3
h. Michel Rütiman und Frau und 1 Kind — 3
i. Wendel Rütimans Frau und Kind — 2
k. Jost Babtist Kinder — 2
l. Wetterwald Familie ganz bis an 1 Kind — 6
m. Wermelinger Kind — 1

Total: 32 mortos lucerneses entre a partida (julho de 1819) e maio de 1820. De 140 que partiram, chegaram vivos e sobreviveram aos primeiros meses 108 pessoas. A família Wetterwald, de Ohlisrüti perto de Willisau, perdeu quase todos — o pai morreu na Holanda, a esposa e quatro filhos morreram em Nova Friburgo, sobrando apenas uma criança.

Insgesamt: 32 Tote Luzerner zwischen der Abreise (Juli 1819) und Mai 1820. Von 140, die abgereist waren, kamen 108 lebend an und überlebten die ersten Monate. Die Familie Wetterwald aus Ohlisrüti bei Willisau verlor fast alle: Der Vater starb in Holland, die Ehefrau und vier Kinder in Nova Friburgo — nur ein Kind blieb übrig.

Total: 32 Lucerne deaths between the departure (July 1819) and May 1820. Of 140 who departed, 108 arrived alive and survived the first months. The Wetterwald family, of Ohlisrüti near Willisau, lost almost everyone — the father died in Holland, the wife and four children died in Nova Friburgo, leaving only one child.

Anexo IV · Carta de Wendelin Rüttimann, 11 de agosto de 1825 (excertos) Anhang IV · Brief von Wendelin Rüttimann, 11. August 1825 (Auszüge) Appendix IV · Letter from Wendelin Rüttimann, 11 August 1825 (excerpts)

FonteQuelleSource: Staatsarchiv Luzern, AKT 24/60.B.3
RemetenteAbsenderSender: Josef Wendelin Rüttimann, Campos dos Goytacazes
DestinatárioEmpfängerRecipient: Eduard Pfyffer, Präsident des Polizei-Raths, Luzern

Sobre a amizade com o Dr. Jost Über die Freundschaft mit Dr. Jost On the friendship with Dr. Jost

Schon auf unserer ganzen Reise und fortwährend in diesem unserm neuen Vaterlande ist Dr. Joste von Willisau immer mein bester Kamerad und Freund gewesen, und danke ihm viel Gutthaten zu meinem Fortkommen. Er ist glüklich und wohl.
Tradução Já durante toda a nossa viagem e continuamente nesta nossa nova pátria, o Dr. Jost de Willisau sempre foi meu melhor camarada e amigo, e devo-lhe muitas boas ações para o meu progresso. Ele está feliz e bem.
English translation Already throughout our entire journey and continually in this our new fatherland, Dr. Jost of Willisau has always been my best comrade and friend, and I owe him many good deeds for my advancement. He is happy and well.

Sobre a terra da colônia Über das Land der Kolonie On the land of the colony

Wäre unsere in eine solche fruchtbare Gegend verlegt worden – ja! es wäre wohl anders gegangen. Aber wo sie ist, kann und wird nichts werden. Zu kalt. Nur Mais, Bohnen und Erdäpfel kommen davon.
Tradução Se a nossa [colônia] tivesse sido colocada numa região tão fértil assim — sim! tudo teria sido diferente. Mas onde ela está, nada pode nem vai resultar. Frio demais. Só milho, feijão e batatas saem dali.
English translation Had ours [colony] been placed in such a fertile region — yes! it would surely have gone differently. But where it stands, nothing can or will come of it. Too cold. Only maize, beans, and potatoes come from it.

Sobre a Aldeia da Pedra e a Dispersão Über Aldeia da Pedra und die Zerstreuung On Aldeia da Pedra and the Dispersal

Viele sind nach Minas, Aldèa da Pedra, haben Land umsonst bekommen, und stehn nicht bös, was will aber ein Mann allein mit Weib und kleinen Kindern machen, die ihm nichts helfen können.
Tradução Muitos foram para Minas, Aldeia da Pedra, receberam terra de graça e não estão mal — mas o que pode fazer um homem sozinho com esposa e filhos pequenos, que em nada podem ajudá-lo?
English translation Many have gone to Minas, Aldeia da Pedra, received land for free, and are not doing badly — but what can a man alone do, with a wife and small children who can give him no help?

Sobre as perdas pessoais de Rüttimann Über Rüttimanns persönliche Verluste On Rüttimann's personal losses

In Medenblek, einer Stadt in Holland, starb mein Töchterlein Mariannli, schon krank in Dordrecht eingeschift; in Neufreiburg am 12. Horner 1820 starb meine liebe Gattin Margaritha Imbach an einer unglüklichen Niederkunft, und abgeschwächt von den Beschwerden der Reise und mehreren Umständen.
Tradução Em Medemblik, uma cidade na Holanda, morreu a minha filhinha Mariannli, já doente ao ser embarcada em Dordrecht; em Nova Friburgo, a 12 de fevereiro de 1820, morreu a minha querida esposa Margaritha Imbach de um parto infeliz, enfraquecida pelas agruras da viagem e várias circunstâncias.
English translation In Medemblik, a town in Holland, my little daughter Mariannli died, already ill when boarded in Dordrecht; in Nova Friburgo, on 12 February 1820, my dear wife Margaritha Imbach died of an unfortunate childbirth, weakened by the hardships of the journey and several circumstances.

Anexo V · Página do Staatsarchiv Luzern sobre Nova Friburgo Anhang V · Seite des Staatsarchivs Luzern zu Nova Friburgo Appendix V · Staatsarchiv Luzern page on Nova Friburgo

O Staatsarchiv Luzern mantém uma página dedicada à emigração lucernesa de 1819, redigida por Markus Lischer, com a lista BF 52, excertos das cartas e referências bibliográficas. Disponível em:

https://staatsarchiv.lu.ch/schaufenster (seção Nova Friburgo)

A página informa que as fontes primárias estão reunidas numa caixa de arquivo com a signatura AKT 24/60, contendo as cartas de Hunkeler (1820), Rüttimann (1825) e Jost (1825), além do regulamento da viagem. A lista de nomes encontra-se sob a signatura BF 52.

Bibliografia adicional citada pelo Staatsarchiv:

  • Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973
  • Bucher-Häfliger, Josef, “Rottaler finden in Brasilien eine neue Heimat”, Willisauer Bote, 23 de maio de 1997
  • Jurt, Joseph, “Auf Willisauer Spuren in Brasilien”, Quattro, Nr. 1, 3 de janeiro de 2004
  • Jurt, Joseph, “Schweizer Emigration nach Brasilien. Aus der Sicht des Willisauers Joseph Hecht”, Heimatkunde Wiggertal 2026, pp. 153–161
  • Weibel-Knupp, Anita, “Schweizer Auswanderung nach Brasilien 1819”, Jahrbuch SGFF 42 (2015), pp. 223–268

Das Staatsarchiv Luzern führt eine Seite zur Luzerner Auswanderung von 1819, verfasst von Markus Lischer, mit der Liste BF 52, Briefauszügen und bibliographischen Hinweisen. Erreichbar unter:

https://staatsarchiv.lu.ch/schaufenster (Bereich Nova Friburgo)

Die Seite teilt mit, dass die Primärquellen in einer Archivschachtel unter der Signatur AKT 24/60 zusammengefasst sind und die Briefe von Hunkeler (1820), Rüttimann (1825) und Jost (1825) sowie das Reisereglement enthalten. Die Namensliste befindet sich unter der Signatur BF 52.

Zusätzliche vom Staatsarchiv zitierte Literatur:

  • Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973
  • Bucher-Häfliger, Josef, „Rottaler finden in Brasilien eine neue Heimat“, Willisauer Bote, 23. Mai 1997
  • Jurt, Joseph, „Auf Willisauer Spuren in Brasilien“, Quattro, Nr. 1, 3. Januar 2004
  • Jurt, Joseph, „Schweizer Emigration nach Brasilien. Aus der Sicht des Willisauers Joseph Hecht“, Heimatkunde Wiggertal 2026, S. 153–161
  • Weibel-Knupp, Anita, „Schweizer Auswanderung nach Brasilien 1819“, Jahrbuch SGFF 42 (2015), S. 223–268

The Staatsarchiv Luzern maintains a page dedicated to the Lucerne emigration of 1819, written by Markus Lischer, including the BF 52 list, excerpts of the letters, and bibliographical references. Available at:

https://staatsarchiv.lu.ch/schaufenster (Nova Friburgo section)

The page reports that the primary sources are gathered in an archive box under the call number AKT 24/60, containing the letters of Hunkeler (1820), Rüttimann (1825), and Jost (1825), along with the travel regulations. The list of names is held under the call number BF 52.

Additional bibliography cited by the Staatsarchiv:

  • Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973
  • Bucher-Häfliger, Josef, “Rottaler finden in Brasilien eine neue Heimat”, Willisauer Bote, 23 May 1997
  • Jurt, Joseph, “Auf Willisauer Spuren in Brasilien”, Quattro, No. 1, 3 January 2004
  • Jurt, Joseph, “Schweizer Emigration nach Brasilien. Aus der Sicht des Willisauers Joseph Hecht”, Heimatkunde Wiggertal 2026, pp. 153–161
  • Weibel-Knupp, Anita, “Schweizer Auswanderung nach Brasilien 1819”, Jahrbuch SGFF 42 (2015), pp. 223–268
Tiago Torres Wermelinger
Duas Barras, Rio de Janeiro, Brasil · Abril de 2026
Descendente direto de François Xavier Wermelinger (Willisau ~1775 — Brasil ~1870)
Duas Barras, Rio de Janeiro, Brasilien · April 2026
Direkter Nachfahre von François Xavier Wermelinger (Willisau ~1775 — Brasilien ~1870)
Duas Barras, Rio de Janeiro, Brazil · April 2026
Direct descendant of François Xavier Wermelinger (Willisau ~1775 — Brazil ~1870)

Texto consolidado em três idiomas · Edição de 26 de abril de 2026 In drei Sprachen zusammengeführter Text · Ausgabe vom 26. April 2026 Text consolidated in three languages · Edition of 26 April 2026