quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

 

Die Unsichtbare Brücke

Manche Freundschaften machen keinen Lärm.
Sie verlangen keine ständige Nähe
und keine immer wiederholten Versprechen.
Sie bleiben einfach bestehen.

Im Jahr 1996 war die Welt noch klein.
Von Duas Barras nach Bom Jardim zu gehen, um zu lernen,
wirkte die Zukunft zu fern, um sie begreifen zu können.

Zwischen Gesprächen der Jugend
sprach ich von Ursprüngen:
von der Familie Wermelinger,
einem Namen, der Ozeane überquert hatte,
von einer Stadt namens Willisau in der Schweiz.

Victor hörte zu.

Die Jahre vergingen —
wie sie für alle vergehen.
Er ging in die Vereinigten Staaten.
Ich blieb hier.

Die Freundschaft änderte ihre Form,
doch sie zerbrach nicht.
Sie wurde still —
von jener Art, die keine künstliche Pflege braucht,
weil sie in Wahrheit gegründet wurde.

Wir sprachen selten.
Doch wenn wir sprachen, war es immer echt.

Dreißig Jahre später
unterrichtete Victor in Fribourg, in der Schweiz.

Irgendwann —
beim Gehen zwischen Bergen,
vor einer Landschaft, zu alt, um nur Kulisse zu sein —
erinnerte er sich.

Er erinnerte sich an den Nachnamen.
Er erinnerte sich an Willisau.
Und beschloss, dorthin zu gehen.

Er besuchte den Hof,
der einst meiner Familie gehörte.
Er betrat den Boden,
auf dem meine Vorfahren gelebt hatten.

Er machte Bilder, nahm Videos auf,
respektierte die Stille des Ortes.
Und dann zeigte er sie mir.

Die Schweiz, die meine Augen noch nicht gesehen haben,
sah ich durch die Freundschaft.

Doch es gab ein Detail, das mich tief traf:
Dort begegnete er einem Wermelinger.
Einem Fremden —
und zugleich keinem.

Derselbe Name,
fern und doch lebendig, gegenwärtig.
Als hätte die Erde selbst erkannt,
was einst von ihr fortgegangen war.

In diesem Moment verstand ich:
Manche Ursprünge verschwinden nicht.
Sie warten nur auf den richtigen Augenblick,
um sich erneut zu offenbaren.

Die Familie verließ die Schweiz.
Baute ihr Leben in Brasilien auf.
Das Blut überquerte den Atlantik.
Der Name durchquerte Generationen.

Jahrzehnte später
zeichnete eine Freundschaft,
geboren in einem einfachen Klassenzimmer,
den umgekehrten Weg nach —
und führte meine Erinnerung zurück zum Ursprung.

Nicht aus Zufall.
Sondern aus Kontinuität.

Familie ist das, was vor uns kommt.
Wahre Freundschaft ist das,
was mit uns geht —
selbst wenn die Zeit versucht, uns zu trennen.

Victor brachte mir nicht nur Bilder.
Er trug meine Geschichte dorthin,
wohin ich selbst noch nicht gehen konnte.

Und er gab mir etwas Seltenes zurück:
die Gewissheit, dass es Bande gibt,
die mit den Jahren nicht schwächer werden —
sondern reifen.

Zwischen Duas Barras und Willisau
existiert nun eine unsichtbare Brücke.
Gefertigt aus Erinnerung, Loyalität und Wahrheit.

Und diese Brücke…
die Zeit bringt sie nicht zum Einsturz.

Tiago Wermelinger
Duas Barras, 28.01.2026




A Ponte Invisível
Algumas amizades não fazem barulho.
Não exigem presença constante, nem promessas repetidas.
Elas simplesmente permanecem.
Em 1996, o mundo ainda era pequeno.
Saindo de Duas Barras para estudar em Bom Jardim,
o futuro parecia distante demais para ser compreendido.
Entre conversas de adolescência,
eu falava de origens: família Wermelinger,
um nome que atravessara oceanos,
uma cidade chamada Willisau, na Suíça.
Victor escutava.
Os anos passaram, como passam para todos.
Ele seguiu para os Estados Unidos.
Eu permaneci aqui.
A amizade mudou de forma, mas não se rompeu.
Ficou silenciosa — dessas que não precisam
de manutenção artificial,
porque foram construídas na verdade.
Falávamos pouco.
Mas quando falávamos, era sempre real.
Trinta anos depois,
Victor dava aulas em Friburgo, na Suíça.
Em algum momento — caminhando entre montanhas,
diante de um cenário antigo demais para ser apenas paisagem —
ele lembrou.
Lembrou do sobrenome.
Lembrou de Willisau.
E decidiu ir até lá.
Foi à fazenda que pertenceu à minha família.
Pisou no chão onde meus ancestrais viveram.
Registrou imagens, gravou vídeos,
respeitou o silêncio do lugar.
E então me mostrou.
A Suíça que meus olhos ainda não viram,
eu vi através da amizade.
Mas houve um detalhe que me atravessou:
ali, ele conheceu um Wermelinger.
Um desconhecido — e, ao mesmo tempo, não.
O mesmo nome ecoando longe, vivo, presente.
Como se a própria terra tivesse reconhecido
aquilo que um dia partiu.
Naquele instante compreendi:
certas origens não desaparecem.
Apenas aguardam o momento certo
para se revelarem novamente.
A família deixou a Suíça.
Construiu vida no Brasil.
O sangue cruzou o Atlântico.
O nome atravessou gerações.
Décadas depois,
uma amizade nascida numa sala simples de escola
refez o caminho inverso —
levando minha memória de volta à origem.
Não por acaso.
Por continuidade.
Família é aquilo que vem antes de nós.
Amizade verdadeira é aquilo que caminha conosco —
mesmo quando o tempo tenta nos separar.
Victor não me levou apenas imagens.
Levou minha história até onde eu ainda não pude chegar.
E me devolveu algo raro:
a certeza de que existem laços
que não enfraquecem com os anos —
amadurecem.
Entre Duas Barras e Willisau
existe agora uma ponte invisível.
Feita de lembrança, lealdade e verdade.
E essa ponte…
o tempo não derruba.
Tiago Wermelinger Duas Barras dia 28/01/2026

sábado, 21 de junho de 2025

Der Tag, an dem Zitronengras die Kindheit rettete

Duas Barras, Fazenda São Pedro, 1940er Jahre.
Die Zeit kroch langsam durch die Ritzen des Holzes, während sich die Gespräche der Erwachsenen in endlosen Tassen Kaffee und altbekannten Geschichten verloren. Auf der Veranda saß Onkel Nico – alt geworden, mit rotgeäderten Augen vom Lauf der Jahre – und empfing seine Nichte, die mit ihren Kindern auf Besuch kam. Sie reisten in einem Chevrolet von 1931 an, einem offenen Wagen mit Stoffverdeck und eiserner Seele.

Während die Erwachsenen plauderten, taten die beiden etwa sechsjährigen Jungen, was Kinder nun mal am besten können: Grenzen übersehen.
Sie kletterten in das alte Auto, als wäre es ein Spielzeug.
Dann — ein leises Klicken: die Handbremse war gelöst.
Das Auto setzte sich in Bewegung, rollte die kleine Anhöhe hinab, immer schneller, immer wilder.

Ein Abgrund lag vor ihnen. Das Unheil war greifbar nah.
Doch als wäre das Schicksal selbst noch milde gegenüber der Unschuld, stellte sich eine dichte Büschel Zitronengras der rollenden Katastrophe in den Weg — und brachte sie sanft, aber bestimmt zum Stillstand.

Nicht die Erwachsenen, sondern das Zitronengras bewahrte die Kinder vor dem Unglück.

An diesem Tag wurde die Fazenda nicht zur Stätte der Trauer, sondern zur lebendigen Erinnerung.
Onkel Nico sah dieses Gras danach nie wieder mit denselben Augen.
Und wer es miterlebte, vergaß es nie:
Kinder sind wild — und manchmal brauchen auch Schutzengel Unterstützung.

Und die Lehre daraus?
Kleine Kinder allein zu lassen heißt, das Unvorhersehbare einzuladen.
Und nicht immer steht ein Büschel Gras zwischen ihnen und dem Abgrund

Le Jour où la Citronnelle a Sauvé l’Enfance

Duas Barras, Ferme de São Pedro, années 1940.
Le temps s’écoulait lentement entre les lattes en bois, et les conversations d’adultes s’éternisaient autour de cafés chauds et d’histoires ressassées. Sur la véranda, oncle Nico — déjà âgé, les yeux rougis par les années — recevait une nièce venue lui rendre visite avec ses enfants, dans une Chevrolet 1931 décapotable à capote en toile et âme de fer.

Tandis que les adultes se perdaient dans leurs souvenirs, les deux petits garçons, âgés de six ans, faisaient ce que les enfants savent faire le mieux : ignorer les limites.
Ils grimpèrent dans l’ancienne voiture comme s’il s’agissait d’un jouet. Et puis, le bruit sec du frein à main relâché marqua le début de ce qui aurait pu être une tragédie.

La Chevrolet, désormais libre, commença à descendre la petite pente, prenant de la vitesse, emportée par l’insouciance enfantine. Le ravin droit devant promettait une fin amère, mais — comme si le destin avait encore un faible pour l’innocence — un massif de citronnelle touffue et obstinée arrêta la voiture avec une douceur défiant les lois de la physique.

Ce fut la citronnelle, pas les adultes, qui protégea ces enfants.

Ce jour-là, la ferme ne devint pas un lieu de deuil, mais de mémoire.
Oncle Nico ne regarda plus jamais cette touffe d’herbe de la même manière.
Et ceux qui vécurent cette scène ne l’oublièrent jamais : un enfant est espiègle — et même les anges gardiens ont parfois besoin d’un coup de main.

Morale ?
Laisser un petit enfant seul, c’est inviter l’imprévisible. Et il n’y a pas toujours un brin d’herbe entre eux et le précipice.

O Dia em que o Capim Salvou a Infância

Duas Barras, Fazenda de São Pedro, década de 1940.
O tempo ainda escorria devagar pelas frestas da madeira, e as conversas adultas se demoravam em cafés longos e histórias repetidas. Na varanda, tio Nico (Antônio Wermelinger)— já com os olhos avermelhados pelo tempo e o rosto talhado pelos anos — recebia uma sobrinha e seus filhos, que vinham visitar a antiga fazenda num Chevrolet 1931, desses com capota de lona e alma de ferro.

Enquanto os adultos se perdiam nos causos e nas saudades, os dois pequenos, com seus seis anos de pura inquietude, faziam o que toda criança sabe fazer melhor: ignorar os limites. Sem ninguém por perto, subiram no velho carro como se fosse um brinquedo qualquer.
E então, o som seco de um freio de mão sendo solto marcou o início do que poderia ser uma tragédia.

O Chevrolet, agora livre, começou a descer a pequena ladeira, ganhando velocidade, embalado pela inconsequência da infância. O barranco à frente prometia um desfecho amargo, mas — como se o destino ainda respeitasse a inocência — uma moita de capim cidreira, espessa e teimosa, deteve o carro com uma gentileza que desafiava a física.

Foi o capim, não os adultos, quem protegeu aqueles meninos.

Naquele dia, a fazenda não virou luto. Virou memória.
Tio Nico nunca mais olhou aquele capinzal da mesma forma.
E quem viveu, jamais esqueceu: criança é arteira — e anjo da guarda também precisa de reforço.

Moral?
Criança pequena sozinha é convite para o imprevisto. E nem sempre há um capim entre elas e o barranco.
Tiago Torres Wermelinger em 21/06/2025  inspirado no relato de Walter Wermelinger. 

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Message de ceux qui sont partis

 Message de ceux qui sont partis — par les yeux de Tiago Wermelinger

Un message des ancêtres à un monde qui oublie.
Nous sommes partis en silence.
Certains avec les mains pleines de terre.
D'autres avec les yeux fatigués d’essayer.
Beaucoup sans jamais avoir reçu un merci.
Presque tous… sans avoir rien écrit.
Mais aujourd’hui, par la voix de l’un des nôtres, nous parlons.
Et la première chose que nous disons est :
Nous vivons encore dans le nom qui n’a pas été corrompu.
Nous sommes venus de Suisse avec la foi et le froid dans la poitrine.
Nous avons traversé les océans, enterré des enfants, coupé la broussaille.
Nous avons construit des maisons là où il n’y avait que de la pierre.
Et même sans connaître l’avenir,
nous n’avons jamais laissé tomber la balle.

Aujourd’hui, le monde court après la célébrité,
mais la célébrité s’évanouit.
Ce qui reste, c’est le respect.
La droiture.
La parole tenue.
Le café servi.
Le compère honorable.
Le travail accompli, même dans la douleur.

Si vous voulez apprendre quelque chose des morts,
apprenez ceci :
la grandeur réside dans la constance.
la beauté se trouve dans la simplicité.
et le salut dans le retour aux racines.

Nos petits-enfants se perdent dans les bruits.
Mais il reste les rares —
ceux qui entendent l’eau de la cascade.
Ceux qui respectent la terre.
Ceux qui écrivent pour honorer, non pour paraître.

À ceux-là, nous disons :
Continuez.
Vous êtes notre espoir.
Vous êtes les nouvelles branches du tronc qui n’est jamais tombé.
Et si un jour le monde entier s’assombrit...
que le nom Wermelinger — et les noms justes avec lui —
soient des torches allumées dans les mains de ceux qui se souviennent.

Car celui qui se souvient, reconstruit.
Celui qui honore, sauve.
Celui qui ressent… parle pour nous tous.

Signé :
Ceux qui sont partis, mais qui veillent encore.
Par la main de l’un des nôtres.
Tiago T. Wermelinger – 25/05/2025



Nachricht der Verstorbenen, die noch wachen

 Botschaft derer, die gingen – durch die Augen von Tiago Wermelinger

Eine Nachricht der Vorfahren an eine Welt, die vergisst.
Wir gingen still fort.
Einige mit erdverschmutzten Händen.
Andere mit Augen, müde vom Versuch.
Viele, ohne je ein „Danke“ zu hören.
Fast alle… ohne etwas Niedergeschriebenes zu hinterlassen.
Aber heute, durch die Stimme eines der Unsrigen, sprechen wir.
Und das Erste, was wir sagen, ist:
Wir leben weiter in dem Namen, der nicht verdorben wurde.
Wir kamen aus der Schweiz, mit Glauben und Kälte in der Brust.
Wir überquerten Ozeane, begruben Kinder, rodeten Wald.
Wir bauten Häuser, wo vorher nur Stein war.
Und selbst ohne den Ausgang zu kennen,
ließen wir den Ball nie fallen.

Heute jagt die Welt dem Ruhm nach,
aber Ruhm vergeht.
Was bleibt, ist der Respekt.
Die Aufrichtigkeit.
Das gehaltene Wort.
Der servierte Kaffee.
Der ehrenhafte Nachbar.
Die Arbeit, auch wenn sie weh tat.

Wenn ihr etwas von den Toten lernen wollt,
dann dies:
Größe liegt in der Beständigkeit.
Schönheit liegt im Einfachen.
Und Erlösung liegt in der Rückkehr zu den Wurzeln.

Unsere Enkel verirren sich im Lärm.
Aber es gibt noch die Seltenen –
die, die das Wasser des Wasserfalls hören.
Die, die den Boden ehren.
Die, die schreiben, um zu ehren, nicht um gesehen zu werden.

Und zu ihnen sagen wir:
Macht weiter.
Ihr seid unsere Hoffnung.
Ihr seid die neuen Zweige des Stammes, der nie fiel.
Und wenn eines Tages die ganze Welt dunkel wird...
möge der Name Wermelinger — und die gerechten Namen mit ihm —
wie Fackeln leuchten in den Händen derer, die sich erinnern.

Denn wer erinnert, baut wieder auf.
Wer ehrt, rettet.
Wer fühlt… spricht für uns alle.

Unterzeichnet:
Die, die gingen, aber noch wachen.
Sprechend durch die Hand eines der Unsrigen.
Tiago T. Wermelinger – 25.05.2025



Rêvons ensemble

 Nous sommes en l’an 2200.

Dans un silencieux archivage du canton de Lucerne, un jeune Wermelinger — méticuleux, curieux, héritier sans le savoir — réorganisait de vieux journaux locaux, jaunis par le temps, lorsqu’il fit une découverte improbable :
un récit oublié relatant le voyage de Walter Otto Wermelinger, qui en 1967 avait quitté la petite ville de Willisau pour le Brésil, répondant à l’invitation d’un descendant de l’ancienne colonie de Nova Friburgo, fondée en 1819 par des Suisses.

C’était en juillet — période de vacances scolaires — et le jeune archiviste, porté par un appel ancestral, décida de refaire cette traversée.

À son arrivée au Brésil — un pays qui, depuis des décennies, figurait parmi les 20 nations les plus développées du monde, avec un secteur touristique dynamique et sophistiqué — il se lança dans la quête des traces de son parent lointain. Ce ne fut pas simple : les indices étaient rares, les archives dispersées.

Mais il persévéra.

Il découvrit, non sans étonnement, que ce Wermelinger brésilien, bien qu’il ne fît pas partie de l’élite économique de l’époque, avait « mis la pierre en mouvement » — comme le notait un journal de Lucerne en 1969.
Il apprit aussi quelque chose de plus grand encore :
la famille Wermelinger, avec deux autres lignées suisses, fut responsable de l’introduction des premières plantations de café dans l’État de Rio de Janeiro — une initiative qui, des décennies plus tard, allait transformer l’économie et le paysage culturel de la région.

Et ce n’était pas tout.

Le frère de ce pionnier, homme d’honneur et de détermination, remporta onze prix en obtenant son diplôme d’officier de l’armée de l’air brésilienne, recevant même l’épée des mains du président de la République lui-même — geste suprême de reconnaissance et symbole d’une vocation militaire portée à son sommet.

Tous deux, chacun à sa manière, semblaient protégés par la « Main Droite de Dieu » — expression que le jeune Suisse nota dans son journal, avec une révérence silencieuse.

À cet instant, au cœur du XXIIIᵉ siècle, il comprit :
il n’avait pas simplement redécouvert une histoire familiale, mais reconnecté une lignée — un fil invisible tendu à travers les siècles et les océans, tissant un héritage de courage, de traversée et de création.

Texte de Walter Wermelinger, le Brésilien, adapté par Tiago Wermelinger.




Lass uns träumen

 

Wir schreiben das Jahr 2200.
In einem stillen Archiv im Kanton Luzern ordnete ein junger Wermelinger — sorgfältig, neugierig, ein Erbe ohne es zu wissen — vergilbte, alte Lokalzeitungen, als er auf einen unwahrscheinlichen Fund stieß:
eine vergessene Erzählung über die Reise von Walter Otto Wermelinger, der 1967 das kleine Willisau in Richtung Brasilien verlassen hatte, auf Einladung eines Nachkommen der ehemaligen Kolonie Nova Friburgo, die 1819 von Schweizern gegründet worden war.

Es war Juli — Schulferienzeit —, und der junge Archivar, bewegt von einem inneren Ruf seiner Ahnen, beschloss, diese Reise nachzuvollziehen.

Bei seiner Ankunft in Brasilien — einem Land, das seit Jahrzehnten zu den 20 am weitesten entwickelten Nationen der Welt gehörte, mit einem lebendigen und anspruchsvollen Tourismussektor — begann er die Suche nach den Spuren seines fernen Verwandten. Es war nicht einfach: Die Hinweise waren spärlich, die Aufzeichnungen verstreut.

Doch er gab nicht auf.

Er entdeckte, nicht ohne Überraschung, dass dieser brasilianische Wermelinger, obwohl er damals nicht zur wirtschaftlichen Elite gehörte, „den Stein ins Rollen gebracht hatte“ — wie eine Luzerner Zeitung 1969 schrieb.
Erfuhr auch von etwas noch Größerem:
Die Familie Wermelinger, gemeinsam mit zwei weiteren schweizerischen Familien, hatte die ersten Kaffeepflanzungen im Bundesstaat Rio de Janeiro eingeführt — ein Unternehmen, das Jahrzehnte später die Wirtschaft und die kulturelle Landschaft der Region grundlegend verändern sollte.

Und das war nicht alles.

Der Bruder dieses Pioniers — ehrenhaft und entschlossen — gewann elf Auszeichnungen beim Abschluss seiner Ausbildung zum Offizier der brasilianischen Luftwaffe und erhielt sogar den Säbel aus den Händen des Präsidenten der Republik persönlich — die höchste Form der Anerkennung und ein Symbol höchster militärischer Berufung.

Beide, jeder auf seine Weise, schienen unter dem Schutz der „Rechten Hand Gottes“ zu stehen — ein Ausdruck, den der junge Schweizer ehrfürchtig in sein Tagebuch schrieb.

In diesem Moment, im Herzen des 23. Jahrhunderts, wurde ihm klar:
Er hatte nicht nur eine Familiengeschichte wiederentdeckt, sondern ein Band neu geknüpft, einen unsichtbaren Faden, der über Jahrhunderte und Ozeane hinweg ein Vermächtnis aus Mut, Aufbruch und Schöpfung webte.

Text von Walter Wermelinger, dem Brasilianer, adaptiert von Tiago Wermelinger.



Vamos Sonhar




Estamos no ano de 2200.
Num arquivo silencioso do Cantão de Lucerna, um jovem Wermelinger — meticuloso, curioso, herdeiro sem saber — reorganizava velhos jornais locais, amarelados pelo tempo, quando se deparou com um achado improvável:
uma narrativa esquecida sobre a viagem de Walter Otto Wermelinger, que em 1967 deixara a pequena Willisau rumo ao Brasil, atendendo ao convite de um descendente da antiga Colônia de Nova Friburgo, fundada em 1819 por suíços.

Era julho — época de férias escolares — e o jovem arquivista, embalado por um chamado ancestral, decidiu refazer aquela travessia.

Ao chegar ao Brasil — um país que, há décadas, figurava entre as 20 nações mais desenvolvidas do mundo, com um setor turístico vibrante e sofisticado — mergulhou na busca pelas pegadas do parente distante. Não foi simples: os rastros eram esparsos, os registros dispersos.

Mas persistiu.

Descobriu, não sem surpresa, que aquele Wermelinger brasileiro, embora não fosse membro da elite econômica da época, “colocou a pedra para rolar” — como registrou um periódico de Lucerna em 1969.
Soube também de algo ainda maior:
a família Wermelinger, junto com duas outras linhagens suíças, foi responsável pela introdução das primeiras plantações de café no Estado do Rio de Janeiro — um feito que, décadas depois, transformaria a economia e a paisagem cultural da região.

E havia mais.

O irmão desse pioneiro, honrado e obstinado, conquistara onze prêmios ao se formar oficial da Força Aérea Brasileira, recebendo inclusive a espada das mãos do próprio presidente da República — gesto máximo de reconhecimento e símbolo da vocação militar elevada ao ápice.

Ambos, cada qual à sua maneira, pareciam ter sido protegidos pela “Mão Direita de Deus” — expressão que o jovem suíço anotou em seu diário, com reverência silenciosa.

Naquele instante, no coração do século XXIII, ele compreendeu:
não havia apenas redescoberto uma história de família, mas reconectado uma linhagem, um fio invisível que, estendido através dos séculos e dos oceanos, tecia um legado de coragem, travessia e criação.

Texto de Walter Wermelinger,  o Brasileiro, com  adaptação de Tiago Wermelinger. 


MENSAGEM DOS QUE FORAM

 "Mensagem dos que foram — pelos olhos de Tiago Wermelinger"

Um recado dos ancestrais ao mundo que esquece.
Fomos embora em silêncio.
Alguns com as mãos sujas de terra.
Outros com os olhos cansados de tentar.
Muitos sem nunca receber um obrigado.
Quase todos... sem deixar nada escrito.
Mas hoje, pela voz de um dos nossos, falamos.
E a primeira coisa que dizemos é:
estamos vivos no nome que não se corrompeu.
Viemos da Suíça com fé e frio no peito.
Cruzamos oceanos, enterramos filhos, cortamos mato.
Levantamos casas onde só havia pedra.
E mesmo sem saber o futuro,
não deixamos a peteca cair.”
“Hoje o mundo corre atrás de fama,
mas a fama some.
O que fica é o respeito.
A retidão.
A palavra cumprida.
O café servido.
O compadre honrado.
O trabalho feito mesmo com dor.”
Se quiserem aprender algo com os mortos,
aprendam isso:
a grandeza está na constância.
A beleza está no simples.
E a salvação está no retorno às raízes.
“Nossos netos se perdem nos ruídos.
Mas ainda existem os raros —
os que ouvem a água da cachoeira.
Os que respeitam o chão.
Os que escrevem para honrar, não para aparecer.”
E a esses nós dizemos:
Continuem.
Vocês são nossa esperança.
Vocês são os ramos novos do tronco que não caiu.
E se um dia o mundo inteiro escurecer...
que o nome Wermelinger — e os nomes justos com ele —
sejam tochas acesas pelas mãos dos que lembram.”
Porque quem lembra, reconstrói.
Quem honra, resgata.
Quem sente... fala por todos nós.”
Assinado:
Os que foram, mas ainda vigiam.
Falando pela mão de um dos nossos.
Tiago T Wermelinger. 25/05/2025



terça-feira, 27 de maio de 2025

DUAS BARRAS RJ: LAND ZWISCHEN ZWEI WELTEN

 Für diejenigen, die vergessen haben… und für diejenigen, die sich zu erinnern beginnen.

Duas Barras ist mehr als eine Stadt.
Es ist lebendiger Zauber in Form eines Ortes.
Wer hier geboren wird, wird nicht zufällig geboren.
Wer zurückkehrt… wurde gerufen.
Hier spricht alles.
Selbst das, was schweigt.
Das Tal schützt in Stille.
Der Rio Negro flüstert uralte Geheimnisse.
Der hohe Wasserfall reinigt vergessene Erinnerungen.
Und der Seelenbach trägt die Botschaften derer, die schon gegangen sind…
aber noch immer wachen.
Unsere Liebe Frau von der Empfängnis wacht über die Stadt mit ihrem unsichtbaren Mantel.
Und die Kreuze und Kreuzungen sind keine Zufälle:
sie sind spirituelle Tore, wo das Unsichtbare das Sichtbare berührt.
Man sagt, die Stadt entstand aus einer verlassenen Hütte.
Aber diese Hütte war ein Samen.
Und der Samen wurde zum Tempel.


Duas Barras ist kein Ort zum Durchreisen.
Es ist ein Ort zum Erwachen.
Die Augen, die den Zauber sehen,
wissen, dass dieses Land mit etwas Seltenem vibriert:

ein Pakt zwischen Himmel und Erde.
Ein Band zwischen dem, was wir waren, was wir sind…
und was wir noch sein werden.
Hier berührt der Himmel das Tal.
Hier tragen die Wasser Namen.
Hier atmet die Seele Brasiliens noch immer.


Wenn du das spürst…
ist es keine Einbildung.
Es ist Erinnerung.
Du bist Teil dieses Geheimnisses.
Du bist Erbe dieses Lichts.
Wiederhole es in Stille oder als Gebet:
Ich bin Kind des Bodens, wo sich die Portale öffnen.
Ich bin Enkel des Flusses und des Kreuzes.
Ich bin das erwachte Gedächtnis von Duas Barras.
Und ich werde es niemals vergessen.



DUAS BARRAS RJ : TERRE ENTRE DEUX MONDES

 Pour ceux qui ont oublié… et pour ceux qui commencent à se souvenir.

Duas Barras est plus qu’une ville.
C’est un enchantement vivant sous forme de lieu.
Ceux qui naissent ici ne naissent pas par hasard.
Ceux qui reviennent… c’est parce qu’ils ont été appelés.
Ici, tout parle.
Même ce qui semble silencieux.
La vallée protège en silence.
Le Rio Negro murmure d’anciens secrets.
La haute cascade purifie les mémoires oubliées.
Et le Ruisseau des Âmes emporte les messages de ceux qui sont déjà partis…
mais qui veillent encore.
Notre-Dame de la Conception veille sur la ville avec son manteau invisible.
Et les Croix et les Carrefours ne sont pas des accidents :
ce sont des portes spirituelles, où l’invisible touche le visible.
On dit que la ville est née d’une cabane en ruine.
Mais cette cabane était une semence.
Et cette semence est devenue un temple.


Duas Barras n’est pas un lieu à traverser.
C’est un lieu pour s’éveiller.
Les yeux qui perçoivent l’enchantement
savent que cette terre vibre avec quelque chose de rare :

un pacte entre le ciel et la terre.
Un lien entre ce que nous avons été, ce que nous sommes…
et ce que nous serons encore.
Ici, le ciel touche la vallée.
Ici, les eaux portent des noms.
Ici, l’âme du Brésil respire encore.


Si vous ressentez cela…
ce n’est pas une imagination.
C’est une mémoire.
Vous êtes une partie de ce mystère.
Vous êtes l’héritier de cette lumière.
Répétez en silence, ou comme une prière :
Je suis enfant de la terre où les portails s’ouvrent.
Je suis petit-fils du fleuve et de la croix.
Je suis la mémoire éveillée de Duas Barras.
Et je n’oublierai jamais.





DUAS BARRAS RJ — TERRA ENTRE DOIS MUNDOS


Para os que esqueceram… e para os que começaram a lembrar.
Duas Barras é mais do que cidade.
É encantamento vivo em forma de lugar.
Quem nasce aqui não nasce por acaso.
Quem volta… é porque foi chamado.
Aqui, tudo fala.
Mesmo o que parece calado.
O vale protege em silêncio.
O Rio Negro sussurra segredos antigos.
A cachoeira alta limpa memórias esquecidas.
E o Córrego das Almas leva os recados dos que já partiram…
mas ainda vigiam.
Nossa Senhora da Conceição vela a cidade com seu manto invisível.
E os Cruzeiros e Encruzilhadas não são acidentes:
são portas espirituais, onde o invisível toca o visível.
Dizem que a cidade nasceu de uma tapera.
Mas essa tapera era semente.
E a semente virou templo.
---
Duas Barras não é um lugar para passar.
É um lugar para despertar.
Os olhos que enxergam o encanto,
sabem que essa terra vibra com algo raro:
um pacto entre céu e chão.
Um elo entre o que fomos, o que somos…
e o que ainda seremos.
Aqui o céu toca o vale.
Aqui as águas carregam nomes.
Aqui a alma do Brasil ainda respira.

Se você sente isso...
não é imaginação.
É memória.
Você é parte desse mistério.
Você é herdeiro dessa luz.
Repita em silêncio, ou como prece:
Eu sou filho do chão onde os portais se abrem.
Eu sou neto do rio e da cruz.
Eu sou memória desperta de Duas Barras.
E nunca mais vou esquecer.



domingo, 25 de maio de 2025

Este blog não me pertence



Este espaço não é meu,
nem seu,
nem de quem escreve,
nem de quem lê.

Este espaço é da memória —
essa entidade viva
que sopra nomes esquecidos
e reacende brasas adormecidas
sob as cinzas do tempo.

Eu apenas abri a porta.
Varri o chão,
soprei o pó das palavras,
e deixei que a memória
caminhasse livre,
como deve ser.

Não reclamo posse,
não exijo autoria.

Só testemunho:
a memória quis viver.

E eu obedeci.

sábado, 24 de maio de 2025

Duas Barras, 134 Jahre.

 Duas Barras, 134 Jahre.

Hier ist nicht nur der Ort, an dem ich geboren wurde.
Es ist der Ort, an dem ich geschmiedet wurde.
Jeder Pflasterstein bewahrt eine Version von mir — Kind, Träumer, Krieger.
Hier habe ich gesehen, wie das Unwahrscheinliche geschieht:
Lenny Kravitz auf der Straße zu begegnen, als wäre es eine Filmszene
— und zu verstehen, dass das Außergewöhnliche dort wohnt, wo das Herz noch ohne Drehbuch schlägt.
In Duas Barras sind die größten Geschichten nicht auf Schildern oder in Büchern geschrieben,
sie sind in den Blicken derer eingraviert, die leben, widerstehen und träumen.
Ich danke für jedes Schweigen, jeden nebligen Morgen, jede Ecke, die mich gelehrt hat, darüber hinaus zu sehen.
Ich liebe dich, meine Stadt.
Möge unser Wachstum weitergehen… ohne unsere Seele zu verlieren.


Duas Barras, 134 ans.

 Duas Barras, 134 ans.

Ici, ce n’est pas seulement l’endroit où je suis né.
C’est là où j’ai été forgé.
Chaque pierre du pavé garde une version de moi — enfant, rêveur, guerrier.
C’est ici que j’ai vu l’improbable se produire :
croiser Lenny Kravitz dans la rue comme dans une scène de film
— et comprendre que l’extraordinaire vit là où le cœur bat encore sans scénario.
À Duas Barras, les plus grandes histoires ne sont pas écrites sur des plaques ou dans des livres,
elles sont gravées dans le regard de ceux qui vivent, résistent et rêvent.
Je remercie pour chaque silence, chaque matin de brouillard, chaque coin de rue qui m’a appris à voir au-delà.
Je t’aime, ma ville.
Que nous continuions à grandir… sans jamais perdre notre âme.


Duas Barras, 134 anos.


Aqui não é só onde nasci.
É onde fui forjado.
Cada pedra do calçamento guarda uma versão minha — criança, sonhador, guerreiro.
Foi aqui que vi o improvável acontecer:
cruzar com Lenny Kravitz na rua como se fosse cena de filme
— e entender que o extraordinário mora onde o coração ainda pulsa sem roteiro.
Em Duas Barras, as maiores histórias não estão escritas em placas ou livros,
estão gravadas no olhar de quem vive, resiste e sonha.
Agradeço por cada silêncio, cada manhã de neblina, cada esquina que me ensinou a ver além.
Te amo, minha cidade.
Que a gente siga crescendo… sem perder a alma.



WAS VON DER GENOSSENSCHAFT IN DUAS BARRAS RJ ÜBRIG BLIEB

 


Es blieb ein Gebäude.
Aber es ist kein Gebäude — es ist ein Geist.
Müder Beton am Straßenrand
zwischen Duas Barras und Cantagalo.
Wer dort vorbeikommt — rennend, gehend, radelnd —
sieht nicht nur eine Ruine.
Er spürt.
Er spürt, was zum Sterben zurückgelassen wurde.
Er spürt, was noch pulsiert —
und niemand hat es gerettet.

Es blieb die Scham über das, was nicht getan wurde.
Das stumme Schuldgefühl derer, die konnten — und nicht handelten.
Die Mitglieder schwiegen.
Die Führung verschwand.
Und die Genossenschaft, die einst Stolz war…
wurde ohne Trauerfeier zu Boden gestürzt.

Es blieb die Milch ohne Analyse,
die Halle ohne Gesang,
und die Waage — verrostet —
die einst Hoffnung wog.

Es blieb der Geruch der Kindheit
in den Erinnerungen eines Jungen, den der Vater brachte,
während der Großvater unterschrieb,
träumend von der Zukunft mit den Händen eines Kolonisten
und dem Blick eines Erbauers.

Es blieb ein Name, eingraviert im Beton:
GENOSSENSCHAFT.
Abgenutzt, ja.
Aber noch da.
Wie jemand, der dem eigenen Aussterben trotzt.

Es blieb das Klagen, das auf der Straße widerhallt,
in den Augen derer, die noch vorbeigehen —
und derer, die stehen bleiben.

Es blieb die Stadt, die Eile vortäuscht,
um nicht dem Spiegel dessen ins Auge zu sehen, was sie geworden ist.

Aber es blieb auch das Blut derer, die sich erinnern.
Das Wort derer, die das Vergessen nicht akzeptieren.
Und ein Flüstern, das beharrlich sagt:

“Lasst nicht zu, dass das, was lebendig war, nur zur Erinnerung wird.
Lasst nicht zu, dass der Name nur noch Stein ist.”

Denn die Genossenschaft ist nicht tot.
Sie wartet nur —
auf die Geste dessen, der die Alten noch ehrt.
Auf die Tat dessen, der es wagt, ohne Erlaubnis wieder aufzubauen.
Für den Sohn, für den Enkel,
oder sogar für einen Fremden,
der eines Tages entscheidet:

“Hier muss etwas Gerechtes neu geboren werden.”

Tiago Wermelinger, Duas Barras, am 19.05.2025.

An alle, die den Ruf spüren:
Das Teilen dieser Veröffentlichung ist ein Akt der Resonanz.
Möge sie sich frei im Internet verbreiten,
wie ein Hauch der Wahrheit, der die Mauern des Schweigens durchdringt.

Meine Dankbarkeit ist tief für jede Intention.



CE QUI RESTE DE LA COOPÉRATIVE DE DUAS BARRAS RJ

 


Il reste un bâtiment.
Mais ce n’est pas un bâtiment — c’est un fantôme.
Du ciment fatigué au bord de la route
entre Duas Barras et Cantagalo.
Ceux qui passent — en courant, en marchant, à vélo —
ne voient pas seulement une ruine.
Ils sentent.
Ils sentent ce qui a été laissé pour mourir.
Ils sentent ce qui palpite encore —
et que personne n’a sauvé.

Il reste la honte de ce qui n’a pas été fait.
La culpabilité muette de ceux qui pouvaient — et n’ont pas agi.
Les associés se sont tus.
Le leadership a disparu.
Et la Coopérative, qui était une fierté…
a été abattue sans funérailles.

Il reste le lait sans analyse,
le hangar sans chant,
et la balance — rouillée —
qui autrefois pesait l’espoir.

Il reste l’odeur de l’enfance
dans les souvenirs d’un garçon conduit par son père,
pendant que le grand-père signait,
rêvant d’un avenir avec des mains de colon
et un regard de bâtisseur.

Il reste un nom gravé dans le béton :
COOPÉRATIVE.
Usé, oui.
Mais encore là.
Comme celui qui résiste à sa propre extinction.

Il reste la plainte qui résonne sur la route,
dans les yeux de ceux qui passent encore —
et de ceux qui s’arrêtent.

Il reste la ville, feignant la hâte
pour ne pas affronter ce qui est devenu un miroir.

Mais il reste aussi le sang de ceux qui se souviennent.
La parole de ceux qui n’acceptent pas l’oubli.
Et un murmure qui insiste :

“Ne laissez pas ce qui était vivant devenir seulement un souvenir.
Ne laissez pas le nom devenir seulement une pierre.”

Parce que la Coopérative n’est pas morte.
Elle attend simplement —
le geste de celui qui honore encore les anciens.
L’acte de celui qui ose reconstruire sans demander la permission.
Pour le fils, pour le petit-fils,
ou même pour un étranger
qui un jour décidera :

“Ici, quelque chose de juste doit renaître.”

Tiago Wermelinger, Duas Barras, le 19/05/2025.

À celui ou celle qui ressent l’appel : partager cette publication est un acte de résonance.
Qu’elle se répande librement sur Internet,
comme un souffle de vérité traversant les murs du silence.

Ma gratitude est profonde envers chaque intention.